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“Vida sim, eutanásia não." De Lisboa ao Porto, milhares caminharam pela vida em cinco cidades

26 out, 2019 - 17:46 • Liliana Monteiro com Redação

Os manifestantes pararam em frente à Clínica dos Arcos, onde se fazem cerca de um quarto das Interrupções Voluntárias da Gravidez em Portugal, para um minuto de silêncio.

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Lisboa, Porto, Braga, Aveiro e Viseu serviram de palco, este sábado, à nona Caminhada pela Vida, uma iniciativa para dizer não à eutanásia.

Em Lisboa, alguns milhares de pessoas, entre as quais várias famílias com crianças, desfilaram entre o Largo Camões e a Assembleia da República.

“Vida sim, eutanásia não” e “os doentes merecem mais” foram algumas das palavras de ordem proferidas e mostradas em cartazes pelos participantes.

Os manifestantes pararam em frente à Clínica dos Arcos, onde se fazem cerca de um quarto das Interrupções Voluntárias da Gravidez em Portugal, para um minuto de silêncio

A Caminhada pela Vida acontece um dia depois de o Bloco de Esquerda ter entregado, no primeiro dia da nova legislatura, um projeto-de-lei, na Assembleia da República, que despenaliza a morte assistida em Portugal.

Na última legislatura, o projeto-de-lei sobre a eutanásia foi chumbado por cinco votos.

"Resposta para os que estão em sofrimento está nos cuidados paliativos"

No final da Caminhada, já junto à escadaria da Assembleia da República, José Maria Seabra Duque, coordenador da Federação Portuguesa pela Vida, garantiu que “não será o Parlamento a travar a eutanásia, seremos nós através de um referendo”.

“Recolheremos as 60 mil assinaturas – e até mais – para que o Parlamento escute o povo”, prosseguiu, admitindo que “esta iniciativa do referendo não vai ser fácil, seguir-se-á uma campanha difícil e teremos de trabalhar muito para o referendo que, sabemos , muitos temem o resultado”.

Já a Presidente do Movimento, Isilda Pegado, defendeu que o caminho passa por “um mundo de solidariedade e de amor”.

“Não negamos as dificuldades da vida, mas estas não podem ditar a destruição das vidas humanas. A pobreza não pode ser uma bandeira, é um desafio para o humanismo, justiça e amor”, disse, recordando que “por ano há cerca de 18 mil seres humanos são impedidos de dar os primeiros passos – é a realidade do aborto”.

A médica e ex-deputada Galriça Neto também participou nesta Caminhada pela Vida. Salientando a experiência clinica que tem com doentes em cuidados paliativos, disse que a eutanásia “não acaba com o sofrimento mas sim com a vida das pessoas que sofrem”.

“Não podemos menosprezar quem sofre dizendo que a resposta para elas é acabar com a vida. É lamentável e vergonhoso que milhares de portugueses não tenham acesso a cuidados paliativos que os ajudam a viver com dignidade. E esta é a verdade!”, referiu.

Galriça Neto lembrou também que “não se trata de ser ou não ser crente”. “Não venham com preconceitos e dizer que só esses vêm defender a vida. Trata-se um valor civilizacional e da ciência nos dizer que a resposta para os que estão em sofrimento está dentro dos cuidados paliativos”, concluiu.

A Caminhada Pela Vida do próximo ano foi já anunciada para o dia 24 de outubro.

Comentários
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  • João Lopes
    27 out, 2019 15:33
    Eutanasiar, é provocar a morte de um ser humano inocente ou não. Os promotores da cultura da morte − aborto e eutanásia − atentam contra a dignidade da pessoa humana: são os "bárbaros" e os "monstros" destes tempos…
  • Desabafo Assim
    27 out, 2019 09:58
    Sobre guerras reservem-se de levantar bandeiras que não são de lutas vossos, limitei-vos a fazer bem o que está à vossa beira (Pio IX) não atiçem (atiçar não vem de Deus e de quem vem quer o seu contributo) pois os males sociais sempre existiram… sem ir mais longe… usem o corretor Gandhi, agiria assim? Não editar por favor, para vosso alívio, e porque é mais forte que vós.