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Francisco Sarsfield Cabral
Opinião de Francisco Sarsfield Cabral
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​A traição de Trump aos curdos

21 out, 2019 • Opinião de Francisco Sarsfield Cabral


O alegado cessar-fogo no ataque da Turquia aos curdos no Nordeste da Síria reforça a ideia de que os EUA de Trump não merecem confiança.

“Quem pode ter confiança na América de Trump?” Esta frase, em letras enormes, faz a capa do último número do semanário britânico “The Economist”, que dedica o seu principal e nada otimista comentário ao assunto.

Ao não se opor à investida da Turquia contra os curdos sírios, Trump traiu os decisivos aliados dos americanos no combate ao “Estado islâmico”. Quando se deu conta da indignação que essa traição provocou dentro e fora dos EUA, Trump enviou a Ankara o seu vice presidente Mike Pence. Depois, o presidente americano proclamou ter obtido da Turquia um cessar fogo histórico.

Só que o ministro dos Negócios Estrangeiros da Turquia logo esclareceu não ter sido acordado um cessar fogo. Apenas uma suspensão de 5 dias dos ataques turcos, na condição de os curdos abandonarem a região perto da fronteira da Síria com a Turquia. “Obtivemos o que queríamos”, acentuou o MNE turco. O “Financial Times” escrevia ontem que Trump ofereceu à Turquia algo que Ankara há muito pressionava Washington para aceitar. Entretanto, morreu muita gente no Norte da Síria, combatentes e civis. E ambos os lados se acusam de continuarem os tiroteios.

Além desta desastrada encenação, Trump enviou a Erdogan uma carta em que tratava o presidente turco como se ele fosse um adolescente mal comportado. Erdogan irritou-se, informou que tinha mandado a carta de Trump para o caixote do lixo e publicamente disse que nunca esquecerá a falta de respeito de Trump. “Chegado o momento, daremos os passos necessários”, ameaçou Erdogan. Será que a Turquia irá sair da NATO? Talvez.

Este caso é apenas mais um exemplo do perigo que representa, hoje, o presidente da única superpotência mundial e, supostamente, do país líder das democracias liberais. Trump não lê os “briefings” dos seus assistentes e nem sequer os ouve. Decide impulsivamente, sem pesar as consequências.

Para a Europa, que não se preocupa há décadas com a sua defesa militar, é uma ameaça inquietante.

P.S. Gostaria de ter escrito esta coluna sobre o que irá acontecer com o Brexit. Mas é impossível, pois em Londres tudo muda de hora a hora.

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