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Francisco Sarsfield Cabral
Opinião de Francisco Sarsfield Cabral
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Eleições em Moçambique

17 out, 2019 • Opinião de Francisco Sarsfield Cabral


Pode estar em causa o recente acordo de paz entre a Frelimo e a Renamo. A campanha eleitoral em Moçambique foi sangrenta. E a Renamo ameaça não aceitar os resultados das eleições.

Nesta semana houve eleições em Moçambique. Registou-se grande afluência às urnas e a votação decorreu com relativa calma – embora em Nacala se tenham registado há dias dois mortos. Pelo contrário, a campanha eleitoral foi sangrenta. Em média, foi assassinado uma pessoa por dia.

Dados preliminares dão a vitória nas eleições presidenciais ao atual presidente, Filipe Nyusi, da Frelimo, com 72%. Ossufo Momade, candidato da Renamo, terá conseguido apenas 21% dos votos. Em breve se conhecerão outros resultados eleitorais, incluindo os das assembleias provinciais que, pela primeira vez, escolherão os governadores das províncias.

A Renamo queixou-se de fraudes beneficiando a Frelimo. Há suspeitas de manipulação do recenseamento eleitoral. O novo líder da Renamo, Ossufo Momade, afirmou não aceitar “resultados duvidosos”. Pode estar em causa o recente acordo de paz entre a Frelimo e a Renamo.

Estas dúvidas sobre a seriedade das eleições moçambicanas são preocupantes. Como é sabido, Moçambique há meses foi vítima de uma terrível catástrofe natural e recebeu ajuda internacional significativa. Mas, antes, algumas graves ilegalidades cometidas por dirigentes políticos moçambicanos levaram os países que ajudavam financeiramente Moçambique, incluindo Portugal, a suspender a sua ajuda. Estas eleições poderiam ter contribuído para uma recuperação da confiança externa naquele país. Mas não parece que tal aconteça.

A todos estes problemas somam-se, desde há poucos anos, frequentes ataques terroristas, aparentemente com origem no radicalismo islâmico, no Norte do país.

Precisamente a região onde foram encontradas jazidas importantes de gás natural. O poder político e militar do Estado moçambicano mostra-se impotente para travar aqueles ataques. Moçambique, um dos países mais pobres do mundo, tem realmente falta de sorte.

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