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Cristãos “aliviados” pela chegada do exército ao nordeste da Síria

16 out, 2019 - 15:13 • Filipe d'Avillez

Fontes da fundação Ajuda à Igreja que Sofre indicam que na maioria das cidades da região a situação está mais calma desde que as forças leais ao regime mobilizaram.

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A chegada ao nordeste da Síria de forças leais ao regime de Bashar al-Assad permitiu o regresso da calma a muitas das cidades daquela região e foi recebida, por isso, com alívio pelos cristãos locais.

Várias fontes contactadas pela fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), que por razões de segurança a organização não identifica, revelam que a vida nos últimos dias regressou um pouco à normalidade.

“Ao longo dos últimos dias a situação na maioria das áreas tem sido mais calma. A exceção é Ras al-Ain, onde continuam os combates entre o exército turco e as Forças Democráticas da Síria. De resto, tem havido algumas incursões ao longo da fronteira”, explica um dos cristãos contactados pela AIS.

Segundo a organização vários cristãos fugiram das suas casas em cidades mais expostas à ofensiva turca, nomeadamente de Qamishli, que tem uma grande população cristã, e há cerca de 200 a viver em casas de parentes em Hassakhe. Por terem sido recebidos por familiares não tem sido necessário acionar mecanismos de ajuda humanitária.

A maioria das principais cidades estão calmas, mas o ambiente é tenso, uma vez que estão sempre expostas a raides da Força Aérea Turca. “O conflito ainda não chegou às principais cidades, mas algumas bombas caíram dentro das cidades de Hassakhé, Qamishli e Malikiya. A principal padaria de Qamishli foi atingida, não sabemos se de propósito ou acidentalmente”, explica outro cristão citado pela AIS.

Quando Donald Trump anunciou a saída das forças americanas, já sabendo que a Turquia planeava invadir o nordeste da Síria, chegou a temer-se um êxodo de milhões de pessoas. Mas o acordo alcançado entre as FDS e o regime sírio, apoiado por Moscovo, trouxe uma renovada confiança aos habitantes. “Houve um sentimento generalizado de alívio entre a população quando ouviram as notícias do acordo entre as FDS e o Governo sírio”, afirma um cristão, embora outro diga que permanece o receio de que o conflito apenas aumente de intensidade caso os exércitos da Síria e da Turquia comecem a lutar entre si. A Rússia já disse que não permitirá que isso aconteça.

Os cristãos no nordeste da Síria estão divididos entre diversas comunidades e igrejas. A maioria são fiéis da Igreja Siríaca Ortodoxa, mas há também arménios, fiéis da Igreja Assíria do Oriente e católicos de diferentes ritos, incluindo siríacos e caldeus. Mesmo dentro destas comunidades existem ainda divisões políticas, com alguns a apoiar a maioria curda e outros a preferir o regime, enquanto outros ainda desejam um território autónomo apenas para os cristãos.

A ameaça turca, contudo, parece ter unido as diferentes fações, com um dos contactos da AIS a admitir que “existe unidade entre as igrejas na região para apoiar os habitantes”.

Através da fundação as igrejas pedem que os cristãos continuem a rezar pela paz e para que consigam ultrapassar as dificuldades que atravessam.

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