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Diretas no PSD só em janeiro. Rui Rio não deve antecipar calendário

16 out, 2019 - 17:14 • Paula Caeiro Varela

Líder quer cumprir mandato até ao fim, mas na "contagem de espingardas" até já se fala em amnistia para quotas em atraso.

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O presidente do PSD, Rui Rio, mantém-se em silêncio e, oficialmente, ainda estará em ponderação, como anunciou na noite eleitoral, mas a verdade é que a sua equipa está a trabalhar com o cenário de o atual líder ser novamente candidato às eleições internas. Parte dessa estratégia passa por esta gestão do silêncio, em que se mantém há mais de uma semana, e também da gestão do calendário que tem pela frente.

Rio já fez saber que não tenciona falar depois da reunião da Comissão Política Nacional, que está a decorrer à porta fechada esta quarta-feira, em Lisboa, uma semana e meia depois das eleições legislativas. Mesmo os mais próximos do líder do PSD recusam dizer taxativamente se Rio avança ou não para novo mandato, sendo as frases mais repetidas por várias fontes social-democratas que "a decisão é exclusivamente do presidente", ou "isso só ele é que poderá dizer". Mas a verdade é que todos admitem esperar que sim, que Rio aceite ir a jogo.

As contas fazem-se, portanto, nessa premissa. Mas - vá ou não vá - a expectativa é que se mantenha inalterado o calendário interno do partido, com eleições diretas em janeiro e congresso um mês depois, em fevereiro, para a eleição dos restantes órgãos, como ditam os estatutos.

Do lado de Luís Montenegro, a expectativa não é diferente. Apesar de alguns dos apoiantes deste último terem reclamado a antecipação das diretas, a expectativa é a de que Rui Rio leve o mandato até ao fim.

Uma questão de quotas que pode ser decisiva

Rui Rio avisou que não ia precipitar-se e recusou que essa posição seja entendida como um tabu, mas passam nesta altura dez dias sobre a noite das eleições e não há fumo branco por parte do líder social-democrata. Sendo certo que Rui Rio já disse e repetiu mil vezes que não está aqui para a corrida dos 100 metros, nem dos 200 metros, que corria quando era novo, agora é corredor de fundo. E essa competição ainda agora começou.

Na direção do PSD, fazem notar que para a semana o calendário é o do país, primeiro com a posse da assembleia da República, depois com a tomada de posse do governo, e logo a seguir com a discussão do programa de Governo, no Parlamento. Um palco e uma oportunidade para Rui Rio debater com António Costa, mostrar que é ele o líder da oposição. E depois, Rui Rio ainda pode jogar apoios para a sua eventual candidatura com a construção da direção da bancada parlamentar.

"Qual é a pressa?", perguntou um dia António José Seguro, então secretário-geral do PS. "Qual é a pressa?", dizem agora na direção do PSD.

Enquanto Rio gere os silêncios, calaram-se também do outro lado os apoiantes de Luís Montenegro. Depois da primeira enxurrada de declarações no espaço mediático, ambos os lados esperam agora por essa decisão.

Entretanto, o combate prossegue nos bastidores, com a “contagem de espingardas", mas há outras estratégias que se desenham: uma das preocupações da atual direção prende-se com um pormenor administrativo, que pode ter grande impacto nos resultados. Trata-se da alteração das regras do pagamento de quotas, que o próprio Rui Rio defendeu, para impedir que alguém possa pagar as quotas em atraso aos militantes e assim "comprar" votos. Em vez de um código com o número de militante, o sistema agora é um código aleatório, enviado ao próprio militante e com validade de apenas 90 dias. O problema que se coloca é que, se esses militantes não tiverem as quotas em dia, não poderão votar, e o universo do chamado "voto livre" do militante de base, pode ficar muito reduzido.

Entre os leais da atual direção, a convicção é a de - por um lado - o voto "cacicado", dos dirigentes e estruturas locais, estará dividido e - por outro - o voto livre é favorável a Rui Rio. Por isso já há quem pense em propor uma amnistia de quotas, que permita que todos votem nas próximas eleições diretas.

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