Iberanime Porto 2019: os artistas que dão vida à cultura japonesa em Portugal

14 out, 2019 - 11:47 • Redação. Fotos: Gonçalo Filipe Lopes/RR

Convenção acontece duas vezes por ano, em Lisboa e no Porto, desde 2010 e este ano atraiu mais de 31 mil visitantes. No certame, há arte que não escapa aos olhos de quem visita a Exponor.

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Cabelos de todas as cores, roupas extravagantes e acessórios que desafiam a gravidade em altura. Ao entrarem na Exponor no fim de semana passado, os mais desatentos poderiam achar que tinham sido transportados para uma realidade paralela onde o anime ganhou vida. Contudo, tratou-se apenas de uma nova edição do Iberanime, o maior evento sobre cultura japonesa organizado em Portugal.

Entre as dezenas de atividades que permitem mergulhar em mares nipónicos, há 38 bancas dispostas pelos corredores da Exponor onde é possível encontrar outra das atrações do evento: os artistas.

Na designada zona de Bancas de Artistas há desenhos de várias personagens, do anime ao K-POP, passando pela cultura ocidental e não só. Também se encontram autocolantes de todos os tamanhos e feitios, bandas desenhadas originais, porta-chaves, bijuteria, t-shirts, pins, entre outros. Alguns destes artigos são completamente originais, o que significa que incluem personagens criadas pelos próprios artistas, não estando veiculadas com nenhuma franquia.

Numa mesa decorada a cor de rosa estão Carolina Martins e Joana Oliveira, que vêm de Setúbal de propósito para exporem a sua arte.

Tal como a maioria dos artistas do século XXI, as duas amigas partilham a sua arte online, mas essa partilha não substitui a convivência presencial, refere Joana. Daí a importância de ir a este tipo de convenções, que lhe permitem ter um contacto mais próximo com as pessoas que a seguem. Já Carolina acredita que estar numa banca é complementar a essa partilha na internet, no fundo uma boa forma de artistas menos conhecidos exporem a sua arte.

A opinião é partilhada por Saskia de Freitas, uma novata em convenções. O Iberanime é a sua primeira convenção enquanto artista e diz estar no evento por ser “uma forma de ganhar um following maior”.

A ilustradora de Paços de Ferreira diz que vender não é a sua maior prioridade, mas que gostava de conseguir cobrir os gastos com a convenção. É que, fazendo as contas, um certame deste calibre não sai barato aos artistas, pois além dos custos associados à criação dos seus produtos, juntam-se os custos de deslocação e ainda o aluguer de uma mesa no evento.

No caso do Iberanime, são cobrados 125 euros por mesa, que pode ser dividida por duas pessoas e que inclui o acesso à convenção. Se os artistas optarem por ter eletricidade na sua banca, o preço sobe para os 150 euros.

Ao lado de Joana e Carolina, a Renascença encontra a artista Jantar Romântico (JR), como é conhecida. Ao contrário de Saskia, JR é uma veterana de convenções. Já as faz há cerca de sete anos, porque se identifica “com o ambiente, com os gostos da cultura japonesa, dos animes” e porque desde sempre gostou de desenhar.

Com uma experiência tão vasta em convenções, JR afirma que uma das memórias mais positivas que guarda destes eventos foi a reação do público a um livro que escreveu sobre body positivity. Aos novos artistas, JR diz que “existem gostos para toda a gente” e aconselha a que comecem “por convenções mais pequenas, se tiverem receio”, optando por um menor stock de produtos para garantir que este escoa.

Estar presente na convenção obriga a uma grande agilidade por parte dos artistas. Desde o momento da inscrição até ao dia do evento, há muito que planear.

Carolina, que divide o trabalho de artista com o Mestrado na Faculdade de Belas Artes de Lisboa, acredita que, havendo força de vontade, se arranja tempo para tudo. Já Joana lembra que há riscos que os artistas têm de correr, especialmente se dependerem de fornecedores do estrangeiro, porque podem receber os produtos a tempo, mas não serem aceites na convenção. Ainda assim, a licenciada em Design acredita que vale a pena, até porque é possível vender os produtos online de forma a contornar o prejuízo.

Apesar da chuva, a Exponor encheu-se de fãs e curiosos da cultura japonesa, que se divertiram nas inúmeras atividades disponíveis.

Durante dois dias foram trocados muitos abraços e é essa troca de afetos que todos os artistas dizem fazer valer a pena todo o trabalho envolvido para estarem presentes no Iberanime.

Organizado duas vezes por ano em Portugal, o Iberanime acontece em Lisboa e no Porto, tendo começado em 2010. Na sua mais recente edição recebeu 31.208 visitantes.

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