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Cori, Curie e Banerjee. Os homens e as mulheres que ganharam o Nobel em casal

14 out, 2019 - 12:23 • Filipe d'Avillez

Ao vencer o Nobel da Economia de 2019, Abhisit Banerjee e Esther Duflo entram para o grupo muito restrito de casais laureados. São apenas seis, sendo que dois dos casais são da mesma família.

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Não é comum, mas já aconteceu. Em seis ocasiões o Prémio Nobel foi atribuído a um casal ou, como aconteceu num caso, os dois elementos do casal venceram prémios Nobel em diferentes categorias.

Carl e Gerty Cori

O primeiro casal a entrar nesta listagem foi Gerty e Carl Cori – não confundir com os Curie, que viriam mais tarde. Nascidos na Europa foram levados pela crescente atmosfera de antisemitismo que se sentia em Viena a emigrar para os Estados Unidos, onde continuaram a trabalhar juntos na investigação médica.

Em 1947 as três décadas de trabalho conjunto foram compensados com a atribuição do Prémio Nobel aos dois pela investigação desenvolvida em torno da “conversão catalítica do glicogénio”, levando a descobertas que contribuíram para a identificação e tratamento de diversas doenças.

Mesmo fora de Viena, Gerty não teve facilidade em ver o seu valor reconhecido e várias instituições ofereceram-se para contratar Carl mas não a sua mulher. Carl recusou todas as ofertas que deixavam Gerty de parte, acabando por aceitar um cargo na Universidade de Washington.

Gerty foi a primeira mulher a vencer um Prémio Nobel de Medicina, a primeira cidadã americana a vencer um Prémio Nobel de todo e apenas a terceira a vencer a distinção a nível global.

Pierre e Marie Curi

Talvez o casal mais famoso da história do Prémio Nobel, os Curie venceram o prémio Nobel da Física em 1903, dando início a uma coleção de cinco prémios na mesma família. O motivo desse primeiro prémio foi o trabalho levado a cabo sobre o fenómeno da radiação.

Pierre Curie morreu num acidente em 1906, caso contrário talvez o segundo prémio Nobel de Marie tivesse sido partilhado em casal também. Desta feita o prémio foi na categoria de Química, pela descoberta dos elementos de rádio e polónio. O segundo destes recebeu o nome em homenagem à origem polaca de Marie Curie.

Até hoje Marie Curie é a primeira mulher a vencer o Prémio Nobel duas vezes e a única pessoa a vencê-la em duas categorias diferentes. Em Agosto de 2018 foi considerada a mulher mais influente da história pelos leitores da revista BBC History.

Iréne e Frédéric Joliot

Seriam os Joliot a dar sequência às conquistas nobéis de Marie e Pierre Curie. Iréne era a filha mais velha daquele casal e seguiu nas pegadas dos pais, dedicando-se à ciência e trabalhando com a sua mãe no laboratório, depois da morte do pai.

Em 1924 Frédéric veio trabalhar para o mesmo laboratório e Iréne ficou encarregue de ensinar-lhe as técnicas da pesquisa em radioatividade. Dois anos mais tarde casaram.

Durante os anos seguintes trabalharam em conjunto e de forma individual, mas receberam os dois o Prémio Nobel da Química em 1935 pela descoberta da radioatividade artificial.

Gunnar e Alva Myrdal

Gunnar e Alva conheceram-se na Suécia, de onde eram naturais, em 1919, tendo-se casado em 1924.

Partilhando um interesse pelas ciências sociais trabalharam cada um no seu ramo e acabaram por vencer o Prémio Nobel em categorias e anos diferentes. São até hoje o único casal a consegui-lo.

Gunnar foi o primeiro a ser laureado, pelo seu trabalho no ramo da teoria do dinheiro e das flutuações económicas, bem como a análise da interdependência dos fenómenos económicos, sociais e institucionais. Partilhou esse Prémio Nobel da Economia com Friedrich Hayek, em 1974.

Alva teria de esperar mais oito anos para se juntar ao clube, vencendo o Prémio Nobel da Paz em 1982 pelo seu trabalho em favor do desarmamento. Morreu quatro anos mais tarde, com 84 anos. Gunnar morreria no ano seguinte, aos 87.

Edvard e May-Britt Moser

Em 2014 o Nobel da Medicina foi atribuído a Edvard e May-Britt Moser pela descoberta do “GPS interno”, isto é, a identificação das células cerebrais que permitem aos seres humanos localizarem-se no espaço.

Os dois noruegueses conheceram-se e casaram quando ainda eram estudantes e trabalharam em conjunto durante quase toda a carreira.

Em 2016, porém, apenas dois anos depois de terem vencido o Prémio, anunciaram que se iam divorciar.

Abhijit Banerjee e Esther Dulfo

Com o anúncio feito esta segunda-feira do Prémio Nobel da Economia, Abhijit Banerjee e Esther Dulfo tornam-se assim o sexto casal a receber o prémio em conjunto.

Neste caso a razão invocada pela Academia Sueca é o trabalho teórico desenvolvido sobre o aliviamento da pobreza.

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