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ONU

Mais de 130 mil pessoas deixam as suas casas no nordeste da Síria

13 out, 2019 - 10:09

Ofensiva turca, que começou na quarta-feira para combater as milícias curdas na região, despoletou a situação. Desde quarta-feira, 85 combatentes curdos e 38 civis foram mortos. Segundo as Nações Unidas, cerca de 400.000 pessoas na área podem precisar de assistência e proteção nos próximos dias.

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Mais de 130.000 pessoas deixaram as suas casas nas cidades de Tal Abyad e Ras al-Ain, desde que a ofensiva turca começou no nordeste da Síria, na quarta-feira, informou hoje a ONU (Organização das Nações Unidas).

De acordo com o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), alguns deles foram recebidos pelos seus familiares noutros locais, mas muitos refugiaram-se em escolas ou abrigos em cidades como Tal Amr, Hasakeh ou Raqa.

Segundo o escritório humanitário da ONU, cerca de 400.000 pessoas na área podem precisar de assistência e proteção nos próximos dias.

As Nações Unidas também alertaram que os hospitais públicos e privados de Ras al-Ain e Tal Abyad fecharam na sexta-feira e que mais de 400.000 pessoas ficaram sem abastecimento de água em Hasakeh, incluindo 82.000 residentes dos campos de refugiados de Al-Hol e Areesha.

A Turquia organizou esta ofensiva na Síria para combater as milícias curdas na região.

Perto de Tal Abyad, registam-se hoje "violentos combates" em Suluk, onde as forças turcas conquistaram alguns "setores", referiu o Observatório dos Direitos Humanos (OSDH). Os ataques aéreos turcos também atingem esta área.

Um oficial das Forças Democráticas da Síria (FDS), principal coligação de combatentes curdos e árabes que controla grandes áreas no norte e nordeste da Síria, confirmou o conflito. "Os turcos estão a tentar assumir o controlo, mas há confrontos violentos com nossas forças", disse o oficial.

Noutra frente, em Ras al-Ain, as forças curdas fizeram recuar os militares turcos e os seus apoiantes, segundo o OSDH. "A luta continua nos arredores ocidentais de Ras al-Ain".

Durante a noite, 17 manifestantes foram mortos em Ras al-Ain ou por atiradores das forças curdas, como quatro combatentes do FDS, segundo o Observatório. Desde quarta-feira, 85 combatentes curdos e 38 civis foram mortos na violência, segundo o último balanço do OSDH.

No sábado, Ancara anunciou que tinha conquistado Ras al-Ain, mas o FDS e o OSDH negaram. "As forças turcas e os apoiantes de Ancara recuaram em várias áreas onde avançaram no dia anterior", disse um integrante das FDS.

Outro oficial das FDS, estacionado em Ras al-Ain, também relatou a retirada das forças turcas. As FDS usaram "túneis subterrâneos" para apanhar os agressores de surpresa.

Outras organizações internacionais alertaram sobre uma nova tragédia humanitária na Síria.

A Turquia declarou que o objetivo da ofensiva é combater e afastar da região a milícia curdo-síria Unidades de Proteção Popular (YPG, integrante das FDS), que os turcos consideram uma organização terrorista por suas ligações com a insurgência curda na Turquia.

O Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, disse na sexta-feira que a Turquia não vai parar até que o YPG, que forma a espinha dorsal da força terrestre apoiada pelos Estados Unidos contra o Estado Islâmico (EI), se retire para pelo menos a 32 quilómetros da sua fronteira.

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