A+ / A-

​Pelo menos nove civis executados na ofensiva turca na Síria

12 out, 2019 - 22:52 • Redação com Lusa

Liga Árabe considera que a operação militar turca representa a “invasão do território de um Estado árabe e uma agressão à sua soberania”.
A+ / A-

Veja notícia:


Pelo menos nove civis foram "executados" este domingo na Síria por milícias que participam na ofensiva lançada pela Turquia contra os curdos no nordeste do país, denuncia o Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH).

"Os nove civis foram executados em momentos diferentes, ao sul da cidade fronteiriça de Tal Abyad", avança a organização não-governamental (ONG).

Entre as vítimas estão o líder de um partido político curdo e o seu motorista, de acordo com uma declaração do Conselho Democrático da Síria, o braço político da aliança dos combatentes curdos e árabes das Forças Democráticas da Síria (SDF).

As execuções elevam para 38 o número de civis mortos desde o início da operação militar turca na quarta-feira, de acordo com o OSDH. Além disso, 81 combatentes curdos foram mortos nos confrontos, segundo uma última avaliação desta ONG.

De acordo com as Nações Unidas, mais de 100 mil pessoas abandonaram as cidades de Ras Al-Ayn and Tal Abyad por causa da invasão turca.

A Liga Árabe, que este sábado esteve reunida de emergência, considera que a operação militar turca representa a “invasão do território de um Estado árabe e uma agressão à sua soberania”.

Os chefes das diplomacias dos Estados-membros da Liga Árabe adotaram "medidas urgentes" contra o que chamam de "agressão turca".

os ministros analisaram, entre outras medidas, "reduzir as relações diplomáticas, suspender a cooperação militar e rever as relações económicas, culturais e turísticas" com a Turquia.

Alguns países, como o Egito, Arábia Saudita e outras monarquias do Golfo Pérsico, já tinham relações muito tensas com o governo do Presidente turco Recep Tayyip Erdogan, de tendência islâmica e aliado do grupo da Irmandade Muçulmana, considerada terrorista pelo Cairo.

Os ministros consideraram que a ofensiva de Ancara representa "uma ameaça direta à segurança nacional dos países árabes e internacional" e "contraria as normas internacionais".

Por isso, pediram à Turquia que pare com a "agressão" e "se retire imediata e incondicionalmente de todos os territórios sírios", enquanto consideraram "legítimos" os esforços da Síria para responder ao ataque turco.

Na quarta-feira, forças turcas e aliados sírios lançaram uma ofensiva no nordeste da Síria para retirar a milícia curda síria das Unidades de Proteção do Povo (YPG) da fronteira turca.

A Alemanha, França e Finlândia anunciaram a suspensão da venda de armamento de guerra ao Governo da Turquia.

Este sábado, milhares de curdos manifestaram-se em várias cidades europeias, como Paris, Colónia ou Atenas.

Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.