A+ / A-

Olga Tokarczuk. Nobel da Literatura acredita na literatura que une as pessoas

11 out, 2019 - 22:29 • Lusa

"Acredito numa literatura capaz de unir as pessoas e mostrar o quão semelhantes somos", afirma a escritora polaca.
A+ / A-

A escritora polaca Olga Tokarczuk, vencedora do Prémio Nobel da Literatura de 2018 - anunciado esta semana -, confessou ter sido apanhada de surpresa pela notícia e afirma acreditar numa literatura que una as pessoas e que mostre quão semelhantes são.

Numa primeira declaração oficial, enviada através da editora em Portugal, a Cavalo de Ferro, Olga Tokarczuk, que estava apontada entre os favoritos ao Nobel da Literatura, conta que soube que venceu o prémio "nas circunstâncias mais estranhas - na autoestrada, algures 'a meio', num lugar sem nome".

"Não consigo pensar numa metáfora melhor para descrever o mundo em que vivemos. Atualmente, nós os escritores confrontamo-nos com desafios cada vez mais improváveis e, no entanto, a literatura é uma arte de movimento lento - o longo processo de escrita torna difícil apanhar o mundo 'em flagrante'".

"Muitas vezes questiono se é sequer possível descrever o mundo, ou se já somos demasiado impotentes perante a sua forma cada vez mais fluída, a dissolução de pontos fixos e o desaparecimento de valores", acrescenta Olga Tokarczuk, autora de obras assentes no passado do seu país, que tem sido duramente criticada pela direita na Polónia, e que já esteve sob ameaças de morte que levaram a editora local a contratar guarda-costas para garantir a sua segurança.

A escritora afirma ainda: "[Acredito] numa literatura capaz de unir as pessoas e mostrar o quão semelhantes somos, que nos torna conscientes do facto de estarmos ligados por fios invisíveis. Que conta a história do mundo como se este fosse um todo vivo e uno, desenvolvendo-se de forma constante à frente dos nossos olhos, e no qual nós temos um pequeno, mas poderoso papel".

Na sua comunicação, Olga Tokarczuk felicita o escritor austríaco Peter Handke, que venceu o Prémio Nobel da Literatura referente a 2019 e declara: "Estou contente por ambos virmos da mesma parte do mundo".

Olga Tokarczuk e Peter Handke foram distinguidos na quinta-feira com o Prémio Nobel da Literatura de 2018 e 2019, anunciados em Estocolmo pela Academia Sueca, depois de um interregno de um ano, devido a um escândalo de abuso sexual e crimes financeiros que abalou a organização.

Um total de 116 escritores - dos quais 15 mulheres - já foram distinguidos com o Prémio Nobel da Literatura, atribuído desde 1901.

A Academia Sueca justificou a escolha de Olga Tokarczuk "por uma imaginação narrativa que, com paixão enciclopédica, representa o cruzamento de fronteiras como uma forma de vida".

Para a instituição que atribui o prémio, a escritora "nunca vê a realidade como algo estável ou permanente" e "constrói os seus romances numa tensão entre opostos culturais; natureza 'versus' cultura, razão 'versus' loucura, masculino 'versus' feminino, casa 'versus' alienação".

A "grande obra" da laureada até ao momento é, para a academia, o "impressionante romance histórico "Os livros de Jacob", publicado em 2014 e sem edição em português.

Em Portugal, a autora tem publicado apenas um livro, "Viagens", vencedor do Prémio Man Booker Internacional em 2018, e chega às livrarias na próxima segunda-feira "Conduz o Teu Arado Sobre os Ossos dos Mortos", livro que foi finalista do Prémio Booker internacional deste ano. Ambos estão editados na Cavalo de Ferro.

Tópicos
Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.