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​Jerónimo de Sousa. “Nunca houve nenhum Governo das esquerdas”

11 out, 2019 - 23:43 • Susana Madureira Martins , com redação

A maioria absoluta seria um fator de instabilidade, diz o líder do PCP, que desafia o Governo a que não desestabilize o que está estável.
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​Jerónimo de Sousa diz que “nunca houve nenhum Governo das esquerdas” - Reportagem de Susana Madureira Martins
​Jerónimo de Sousa diz que “nunca houve nenhum Governo das esquerdas” - Reportagem de Susana Madureira Martins
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O líder do PCP, Jerónimo de Sousa, considera que nunca existiu um “Governo das esquerdas” e critica implicitamente o Bloco de Esquerda por acusar o PS de acabar com a “geringonça”.

Em 2015 só houve acordo escrito porque o então Presidente da República quis. Agora não há essa exigência, com Jerónimo de Sousa a negar que a legislatura tenha sido um Governo das esquerdas.

“Propagandeia-se agora essa ideia de que alguém quer acabar com o que, de facto, nunca houve. Por mais que essa mentira tenha sido repetida ao longo de quatro anos, nunca houve nenhum Governo das esquerdas ou da esquerda, nenhuma maioria parlamentar de esquerda, mas apenas e tão só uma solução para a criação de condições mínimas e bastantes para afastar o Governo PSD/CDS”, afirmou o secretário-geral do PCP.

A maioria absoluta seria um fator de instabilidade, diz Jerónimo de Sousa, que desafiou o Governo a não desestabilizar o que está estável.

“Não há nenhum problema de estabilidade colocada na resposta aos problemas nacionais. O que se impõe é que o Governo não desestabilize. É a partir da política que executa, da resposta que dá ou não às aspirações e anseios dos trabalhadores e do povo que resulta a estabilidade”, declarou.

Agora, depende do Governo apresentar legislação que o PCP possa viabilizar ou não, avisa Jerónimo de Sousa.

“Mantendo o PCP a sua iniciativa e a sua intervenção, tal como aconteceu nos últimos anos, será em função das opções do PS, dos instrumentos orçamentais que apresentar e do conteúdo do que legislar que o PCP determinará, como sempre, com inteira independência política, o seu posicionamento vinculado que está com o compromisso que assumiu com os trabalhadores e o povo”, declarou.

Depois de improviso, Jerónimo com um remoque para dentro do partido: se não fosse a organização do PCP, o resultado das eleições teria sido ainda pior.

O PCP exige também que o Governo tome posição contra o aumento das comissões bancárias da Caixa Geral de Depósitos (CGD).

No comício desta sexta-feira à noite, no Fórum Lisboa, Jerónimo de Sousa desafiou o executivo a dizer algo sobre uma medida que o líder comunista considera abusiva.

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