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Nobel da Medicina distingue investigação sobre a adaptação das células ao oxigénio

07 out, 2019 - 10:37 • Redação com Lusa

Prémio foi atribuído a três cientistas. Descoberta abre caminhos para o desenvolvimento de novas estratégias no combate a doenças.
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O prémio Nobel da Medicina foi atribuído, esta segunda-feira, aos cientistas William Kaelin, Gregg Semenza (dois norte-americanos) e Peter Ratcliffe (britânico). Galardão está relacionado com as suas descobertas relativas ao modo como as células respondem às variações do oxigénio.

O Comité do Nobel explicou que os três cientistas conseguiram com os seus trabalhos "identificar a maquinaria molecular que regula a atividade dos genes na resposta às variações de oxigénio".

"A importância fundamental do oxigénio é conhecida há séculos, mas o processo de adaptação das células às variações dos níveis de oxigénio era um mistério", acrescentou.

O trabalho destes investigadores, estabeleceu a base para entender como os níveis de oxigénio afetam o metabolismo celular e a função fisiológica, o que "abre caminho para o desenvolvimento de novas estratégias para combater a anemia, o cancro e muitas outras doenças", prossegue a explicação da do Instituto Karolinska.

William Kaelin, nascido em 1957, em Nova Iorque, é especialista em medicina interna e oncologia. O seu compatriota Gregg Semenza, igualmente nascido em Nova Iorque, em 1955, é pediatra e o britânico Peter Ratcliffe nasceu em Lacashirem, em 1954, e é perito em nefrologia.

Os três cientistas vão dividir o prémio de nove milhões de coroas suecas (832.523 euros).

Para Helena Vieira, investigadora do Centro de Estudos de Doenças Crónicas da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa, esta investigação pode influenciar e muito o trabalho na cura de doenças.

“A mais imediata é cancro, pois as células cancerosas desenvolvem formas alternativas de produzir energia, mesmo quando não há oxigénio, ou também têm ativadas nelas essa multiplicação de forma independente do oxigénio. Essa vias podem estar relacionadas com os mecanismos de transformação das células cancerígenas. Nesse sentido, esta descoberta pode ser importante para o tratamento do cancro”, explicou à Renascença.

Arrancou esta segunda-feira a temporada Nobel. Estes prémios nasceram da vontade do cientista e industrial sueco Alfred Nobel (1833-1896) em legar grande parte de sua fortuna a pessoas que trabalhem por “um mundo melhor”.

Na terça é conhecido o Nobel da Física e, na quarta-feira, o da Química. Na quinta-feira, dia 10, serão atribuídos os Nobel da Literatura de 2018 e 2019 e na sexta-feira será conhecido o nome do novo Nobel da Paz.

O último anúncio será feito no dia 14 de outubro e determinará o vencedor do Nobel da Economia.

Este ano, serão atribuídos dois Nobel da Literatura (relativos a 2018 e 2019), depois de, no ano passado, ter sido suspenso devido a um escândalo de abusos sexuais e crimes financeiros, que afetou a Academia de Estocolmo.

A cerimónia de atribuição acontece anualmente a 10 de dezembro, data de aniversário da morte do seu mentor.


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