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Legislativas 2019

"Portugueses gostaram da geringonça" e Costa quer "renovar a solução política"

07 out, 2019 - 00:03 • Ricardo Vieira

Líder socialista afirma que o partido sai reforçado das eleições legislativas e vai encetar negociações com os partidos de esquerda para uma solução governativa que garanta "quatro anos de estabilidade", a palavra mais sublinhada no discurso da vitória.

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No discurso da vitória das eleições legislativas este domingo à noite, o secretário-geral do PS, António Costa, abriu as portas a uma nova "geringonça" e anunciou que vai encetar contactos com BE, PCP, PAN e Livre.

"O PS vai empenhar-se em garantir soluções de estabilidade no horizonte da legislatura, para isso vamos procurar junto dos nossos parceiros parlamentares renovar a solução política que os portugueses disseram querer que tenha continuidade ", declarou António Costa. No mesmo discurso, o líder do PS adiantou: "Não contamos com o Chega para nada."

Numa intervenção em que a "necessidade de estabilidade" terá sido a expressão mais utilizada, o ainda primeiro-ministro admitiu que "os portugueses gostaram da ‘geringonça’ – é verdade mesmo – e desejam a continuidade da atual solução política, agora com um PS mais forte”, com um "resultado reforçado".

“Os portugueses não deram o voto para a instabilidade, nem num Governo de dois anos. Deram voto para a continuidade”, atirou.

António Costa sublinha que o PS "sai claramente reforçado" destas eleições, enquanto Bloco e CDU, no geral, "consolidaram" a sua posição no Parlamento.

"Era desejável renovar esta solução, não depende só de nós, depende de todos. Independentemente da vontade dos outros, a nossa determinação é garantir quatro anos de estabilidade”, sublinhou o líder socialista.

O líder do PCP, Jerónimo de Sousa, deu a entender que não está disponível para uma nova "geringonça", mas apenas para entendimentos Orçamento a Orçamento e legislação a legislação. Apesar disso, Costa espera que ainda seja possível ao PCP alterar a sua posição.

"Vamos ver se é possível", afirmou. Mais à frente deixou uma espécie de aviso: “Se os outros não nos acompanharem assumiram as suas responsabilidades”.

Costa adiantou que repetirá “também contactos de há quatro anos com o PAN”, que nestas legislativas passou de um para quatro deputados. “Há agora condições para um acordo político”, frisou.

Também entrará em contacto com o Livre, “que obteve pela primeira vez uma representação parlamentar”, com a eleição da cabeça de lista Joacine Moreira. O líder socialista entende que o Livre é um "reforço da solução política que produziu boas políticas e resultados que portugueses reconhecem".

BE e PCP com "responsabilidade acrescida de contribuir para a estabilidade"

Questionado sobre algumas condições elencadas por Bloco e PCP para entendimentos, António Costa abre a porta ao diálogo, mas vai dizendo que "não são só os outros que têm caderno de encargos, nós também temos”.

O líder socialista considera que há uma "responsabilidade é partilhada" dos partidos de esquerda para tentar um entendimento, lançando uma farpa aos parceiros de "geringonça" nos últimos quatro anos.

"A nossa responsabilidade é de tomar a iniciativa e a dos outros é não fechar a porta. Quem fixou como objetivo impedir único uma maioria absoluta do PS tem mesmo responsabilidades acrescidas de contribuir para a estabilidade política nos próximos quatro anos", atirou na fase de perguntas dos jornalistas.

Derrota clara do PSD e CDS. Há vitoria clara inequívoca e reforçada do PS, consolidação dos outros partidos da geringonça, é esse o espaço natural de diálogo.

António Costa destacou o que apelidou de "derrota clara do PSD e CDS" e de "vitória clara, inequívoca e reforçada do PS", deixando claro que vai dar prioridade absoluta a entendimentos com a esquerda, que é o "espaço natural de diálogo" dos socialistas.

“Se não houver vontade dos outros parceiros na continuação da solução, teremos de prosseguir com um Governo do PS e trabalhar dia a dia para garantir estabilidade nos quatro anos. Nenhum português votou na instabilidade ou num governo de dois anos", sublinhou.

Sobre se defende um acordo escrito, Costa não respondeu diretamente, mas lembrou que as exigências do então Presidente da República Cavaco Silva, em 2015, acabaram por ser positivas.

“A experiência demonstrou que a solução de 2015 se revelou boa, mesmo até por ironia com exigências colocadas pelo então Presidente da República que solidificaram esta solução. Pode ser ironia, mas a experiência é o que revela”.

Sem comentários sobre Tancos e sem contar com o Chega "para nada"

Questionado pela Renascença se receia que os próximos tempos sejam marcados pelo processo de Tancos, depois das insinuações durante a campanha eleitoral, o líder socialista apenas respondeu: "sobre esse tema não tenho nenhum comentário a fazer", como que dizendo: à justiça o que é da justiça, à política o que é da política.

Em relação à eleição de um deputado de extrema direita, pelo Chega de André Ventura, António Costa deixou clara a posição do PS.

"Não contamos com o Chega para nada", declarou Costa. Em resposta, a plateia gritou "25 de abril sempre, fascismo nunca mais".

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  • Cidadao
    07 out, 2019 Lisboa 12:03
    Tanga: o PS está demasiado forte e ainda por cima há que se acotovele para fazer acordos com ele. Qualquer partido que lhe dê a mão para fazer maioria nas votações, ou terá ganhos insignificantes ou fará o que o PS disser, pura e simplesmente. O CDS foi arrasado, nada que não se esperasse. Mas outros grandes perdedores foram o PCP em franca retracção, e sobretudo o Bloco de Esquerda, que agora é desnecessário para soluções de governo - nem o PS quererá nada com ele. O BE estagnou, vai ter 4 anos difíceis e mais vale começar a pensar em ser Oposição, porque como "geringonça", é dispensável. Principalmente havendo Pan, PCP, e o próprio PSD cujas politicas se aproximam das do PS...