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Combustíveis

O que pagamos quando abastecemos? Num depósito de 50 euros, 31 vão para impostos

07 out, 2019 - 17:59 • Sandra Afonso

Contas feitas, quando abastecemos o carro, estamos a pagar muito mais do que o combustível. Em Portugal, só com o imposto sobre os combustíveis, o Estado arrecadou no ano passado 3.500 milhões de euros.

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O petróleo representa um quarto do preço final, tudo o resto são impostos, refinação, comercialização e distribuição. O que explica porque os combustíveis praticamente não reagem às oscilações do preço do crude.

Se pagássemos apenas a matéria prima, sempre que o barril do petróleo aumentasse ou descesse, o preço do combustível iria mover-se da mesma forma. Mas não colocamos crude no depósito, alguém tem o trabalho de refinação. Também não o vamos buscar, ele chega até nós, ou à bomba mais próxima.

Contas feitas, quando abastecemos o carro, estamos a pagar muito mais do que o combustível, no preço final vem também os custos da extração do petróleo, a comercialização, a refinação e respectivos produtos, a distribuição e comercialização ao consumidor. Todo este circuito, segundo dados da Associação Portuguesa de Empresa Petrolíferas, representa na União Europeia mais de um terço do preço médio da gasolina, e quase metade do preço do gasóleo.

Tudo o resto são impostos. Estamos a falar em mais de metade da factura, que não paga nem matéria prima nem custos de exploração. São impostos sobre o consumo e IVA.

Tomando como exemplo um abastecimento de 50€ de gasolina simples 95, com o preço médio de venda ao público de 1,502 €/litro, o que representará 33,3 litros de combustível, verifica-se que:

Em Portugal, só com o Imposto sobre os combustíveis (ISP), o Estado arrecadou no ano passado 3.500 milhões de euros, avança hoje o Instituto nacional de Estatística.

Os impostos especiais de consumo são a maior componente fiscal, na maioria dos países europeus são “um montante fixo que permanece inalterado por longos períodos, independentemente do preço do crude”, segundo a Apetro. Estes impostos também variam entre países, segundo o tipo de combustível, o que dificulta a comparação.

A influenciar o preço está também o câmbio da moeda. O petróleo bruto é transacionado em dólares, mas os combustíveis são vendidos em euros, ou outras moedas nacionais.

Tudo somado, quando o preço do barril de crude sobe ou desce no mercado internacional, isso vai mexer com um quarto do preço final da gasolina e menos de metade do preço do gasóleo. Tudo o resto são custos praticamente fixos e, por isso, o preço do petróleo tem um impacto tão limitado no preço de venda final dos combustíveis.

Segundo a Apetro, se o preço do crude cair para metade, isso pode levar, por exemplo, a uma descida de 15% a 20% no preço de venda ao público.

Comentários
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  • Miguel Silva
    09 out, 2019 Odivelas 17:35
    Que pouca vergonha! Esteja PS ou PSD no governo, a porcaria é sempre a mesma (para não dizer outra coisa)! Roubam mesmo à descarada e ninguém faz nada! O Presidente da República que opina sobre tudo, é que devia chamar a atenção do governo para esta situação vergonhosa!
  • J M
    08 out, 2019 Seixal 15:06
    Cada vez havemos de pagar mais impostos nos combustíveis e não só, enquanto o SNS tiver de comprar medicamentos para os mais variados problemas de saúde (hepatite, cancro, etc.) a 40.000 €, 50.000€, 60.000€ ou até 2 milhões de euros como aconteceu no passado recente. Também não vejo ninguém revoltado, a protestar ou a escrever artigos sobre os milhões que a industria farmacêutica ganha com com a saúde.