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Papa diz aos novos cardeais que "compaixão" é "essencial" para combater “hábito da indiferença”

05 out, 2019 - 15:03

"Está viva em vós esta consciência de que fomos objeto da compaixão de Deus?", perguntou Francisco aos novos cardeais, na homilia que proferiu no consistório deste sábado. O Papa aponta a compaixão como "um requisito essencial" para combater "o hábito de passar ao largo".
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O Papa Francisco fez da temática da compaixão o objeto central da homilia que proferiu este sábado, no consistório, em que fez, entre outros, cardeal o bispo português D. Tolentino Mendonça.

Definindo "compaixão" como "palavra-chave do Evangelho", Francisco sublinhou que ela "está escrita no coração de Cristo, está sempre escrita no coração de Deus", não devendo ser "uma atitude ocasional e esporádica, mas sim constante".

"Podemos perguntar-nos: estamos conscientes - a começar por nós - de que fomos objeto da compaixão de Deus? Dirijo-me em particular a vós, irmãos já cardeais ou próximo a sê-lo: está viva em vós esta consciência?", questionou Francisco.

"Em nós, está viva a consciência desta compaixão de Deus por nós? Não se trata duma coisa facultativa, nem - diria - de um 'conselho evangélico'. Não! É um requisito essencial. Se não me sinto objeto da compaixão de Deus, não compreendo o seu amor. Não é uma realidade que se possa explicar. Ou a sinto, ou não. E, se não a sinto, como posso comunicá-la, testemunhá-la, dá-la? Concretamente: tenho compaixão pelo irmão tal, pelo bispo tal, pelo padre tal? Ou sempre destruo com a minha atitude de condenação, de indiferença?"

"O amor de Deus pelo seu povo está todo impregnado de compaixão, a ponto de, nesta relação de aliança, o que é divino é compassivo, enquanto aquilo que é humano aparece, infelizmente, tão desprovido, tão longe da compaixão. Di-lo o próprio Deus: 'Como poderia abandonar-te, ó Efraim? Entregar-te ó Israel? (...) O meu coração dá voltas dentro de mim, comovem-se as minhas entranhas (…), porque sou Deus e não um homem, sou o Santo no meio de ti e não Me deixo levar pela ira'", prosseguiu Francisco.

"Muitas vezes, os discípulos de Jesus dão provas de não sentir compaixão", apontou.

"Desta consciência viva depende também a capacidade de ser leal no próprio ministério. Vale também para vós, irmãos cardeais. A disponibilidade de um Purpurado para dar o seu próprio sangue - significado na cor vermelha das suas vestes - é certa, quando está enraizada nesta consciência de ter recebido compaixão e na capacidade de ter compaixão. Caso contrário, não se pode ser leal. Muitos comportamentos desleais de homens de Igreja dependem da falta deste sentimento da compaixão recebida e do hábito de passar ao largo, do hábito da indiferença."

"Peçamos hoje, por intercessão do apóstolo Pedro, a graça dum coração compassivo, para ser testemunhas d’Aquele que nos olhou com misericórdia, escolheu, consagrou e enviou para levar a todos o seu Evangelho de salvação", rematou


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