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O poeta de Machico que chegou a cardeal

05 out, 2019 - 10:25 • Filipe d'Avillez com redação

José Tolentino Mendonça tem uma vasta obra no mundo da cultura e foi chamado em 2018 a servir o Papa Francisco de forma mais próxima, no Vaticano. A partir deste sábado torna-se cardeal.
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De sacerdote a cardeal num ano. O percurso meteórico de D. Tolentino Mendonça
De sacerdote a cardeal num ano. O percurso meteórico de D. Tolentino Mendonça

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D. José Tolentino Mendonça nasceu em Machico, na Madeira, em 1965 e foi ordenado padre em 1990, aos 24 anos. É doutorado em Teologia Bíblica.

Biblista, investigador, poeta e ensaísta, Tolentino de Mendonça foi condecorado com o grau de Comendador da Ordem de Sant’lago da Espada por Aníbal Cavaco Silva, presidente da República, em 2015.

Figura incontornável no meio cultural português – e não só – serviu durante anos a Igreja Portuguesa na construção de pontes entre os dois mundos, tendo chefiado o Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura.

Em 2010, quando o Papa Bento XVI visitou Portugal, D. José Tolentino foi o arquiteto do encontro com o mundo da cultura, no Centro Cultural de Belém, que foi muito elogiado, e foi também consultor do Conselho Pontifício da Cultura.

A sua vida sacerdotal foi sobretudo dedicada ao trabalho académico, tendo sido reitor do Colégio Português, em Roma, professor na Universidade Católica, em Lisboa e, mais recentemente, vice-reitor da mesma universidade, um cargo que só abandonou quando foi chamado a Roma.

Tem várias obras publicadas, tanto de poesia como de teologia, bem como crónicas e colaborou com vários órgãos de imprensa, tendo inclusivamente tomado conta da emissão da Tarde da Renascença na altura em que a rádio celebrou o seu 81.º aniversário.

Em 2018 orientou o retiro de Quaresma do Papa Francisco, tendo causado tamanho impacto que Francisco o nomeou, pouco depois, para o cargo de responsável do Arquivo e da Biblioteca do Vaticano, elevando-o a arcebispo.

O responsável português sucedeu no cargo de arquivista do Arquivo Secreto do Vaticano e bibliotecário da Biblioteca Apostólica o arcebispo Jean-Louis Bruguès.

O Arquivo Secreto do Vaticano tem um site próprio, no qual é possível encontrar parte do espólio com mais de mil anos.

Ao longo de 85 quilómetros de estantes, distribuem-se mais de 630 fundos de arquivos diferentes.

O arquivo, nos moldes em que existe, nasceu por iniciativa de Paulo V, no século XVII, ainda que a sua história recue nos séculos, dado ter nascido, desde cedo, a tradição de os Papas guardarem a documentação que se referia ao exercício da sua própria atividade.

O documento mais antigo conservado no Vaticano é o “Liber Diurnus Romanorum Pontificum”, livro de fórmulas da chancelaria pontifícia do século VIII.

Este arquivo é gerido por 54 pessoas e pode ser visitado por qualquer investigador devidamente acreditado por uma universidade ou instituto cultural, sem distinção de credo.

A cerimónia de ordenação episcopal decorreu no Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, e foi presidida pelo cardeal patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, coadjuvado pelo bispo de Leiria-Fátima, D. António Marto, e também por D. Teodoro Faria, o bispo emérito do Funchal, terra de D. José Tolentino Mendonça.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, bem como o seu antecessor, Cavaco Silva, marcaram presença na cerimónia. Marcelo não estará agora presente na sua elevação ao cardinalato, devido às cerimónias fúnebres de Freitas do Amaral, em Lisboa/Cascais.

Com a sua nomeação para o Colégio dos Cardeais Portugal passa a contar com cinco cardeais vivos, um número inédito, três dos quais ainda têm idade de votar num eventual conclave.


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