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Guarda

"É melhor que agrião". Estudante quer trazer as azedas de volta à gastronomia

04 out, 2019 - 14:56 • Liliana Carona

Em tempos, os habitantes de Ramela comiam azedas em sopas e saladas, mas hoje a planta selvagem não é mais que uma recordação. Uma aluna do Politécnico da Guarda quer mudar isso - e até já descobriu que esconde benefícios para a saúde.

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Azedas recuperadas por aluna do Politécnico da Guarda. Peça de Liliana Carona
Azedas recuperadas por aluna do Politécnico da Guarda. Peça de Liliana Carona
Ouça a reportagem clicando na imagem acima. Foto: Liliana Carona/RR

Em tempos idos de fome, foi alimento. Hoje, mais não é do que uma recordação dos habitantes de Ramela, concelho da Guarda, que comiam azedas em sopas e saladas. Mas há uma estudante do Instituto Politécnico da Guarda (IPG) que quer reintroduzir o produto vegetal na dieta alimentar.

As azedas são uma planta selvagem autóctone comummente encontrada na Península Ibérica. Em Portugal há 701 registos desta planta, que nasce espontaneamente em muros e fissuras de rocha, como explica à Renascença Armanda Tiago, 69 anos, habitante da freguesia de Ramela, na Guarda.

“É uma erva, gostávamos delas, apanhávamos e comíamos. Tem folhas pequenina, amargas um bocadinho, mas não muito, tenrinhas e boas”, conta, admitindo que não come azedas há já muito tempo. “Só comia antigamente, quando havia muita fome, éramos muitos irmãos... Agora não."

Eram muitos os irmãos de Armanda e era um deles, Lídia Costa, hoje com 75 anos, quem cozinhava a sopa de azedas para a família. “Partia-se bem partidinho, como se fosse uma couve. Dantes comíamos tudo, fazíamos a sopa assim, é melhor que agrião”, garante.

Da sopa de azedas de Lídia chegamos agora ao projeto académico de Joana Sá Rodrigues, que aos 23 anos quer cultivar e comercializar as azedas.

“Pretendo cultivar numa zona reservada, protegida, para potenciar e valorizar as azedas em duas vertentes", explica à Renascença.

Uma das vertentes é a tradicional, gastronómica, usando a planta em saladas e sopas. A segunda surgiu a Joana já durante a sua investigação. "Recentemente percebi o seu potencial ao nível da saúde, ou seja, como pode ser usada para desenvolver nutracêuticos que ajudem a combater doenças crónicas, visto que tem um elevado potencial antioxidante", explica.

Joana já está a desenvolver parcerias com colegas de outras áreas, como a biologia, de modo a ter um projeto mais abrangente. E apesar de ainda estar em curso, o "Rumex Induratus: the discovery for new village" já foi selecionado como finalista no concurso Born From Knowledge (BfK), que premeia as melhores ideias de negócio nascidas em instituições de Ensino Superior portuguesas.

"Dia 10 de outubro é a fase final, quando vamos apresentar o nosso projeto a um júri estrangeiro", adianta Joana Sá Rodrigues, que sonha ver as azedas servidas na cantina do IPG e que, até lá, vai provando as que encontra à mão de semear em Ramela.

O projeto está a ser orientado por Rute Abreu, docente do Politécnico da Guarda há 32 anos, que à Renascença diz depositar total confiança na ideia da sua aluna.

“Este projeto comporta um recurso pouco explorado mas com grande potencial 'gourmet', em que este produto natural tem propriedades antioxidantes fora do vulgar e que se está a perder, pelas práticas modernas de abandono de agricultura", ressalta a professora. "Além disso, a Joana pode desenvolver este projeto dentro da sua própria região.”

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