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Arcebispo de Évora

"O Alentejo é para descansar? Sem dúvida, mas queremos que seja também para trabalhar"

30 set, 2019 - 16:01 • Rosário Silva

À Renascença, D. Francisco Senra Coelho lembra velhas questões, amplamente prometidas, anos a fio, mas nunca concretizadas, dentro e fora dos limites da sua arquidiocese.

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Na abertura de um novo ano pastoral e a poucos dias das eleições legislativas, o arcebispo de Évora não esconde uma enorme apreensão quanto ao futuro da região do Alentejo.

Em declarações à Renascença, D. Francisco Senra Coelho lembra velhas questões, amplamente prometidas, anos a fio, mas nunca concretizadas, dentro e fora dos limites da sua arquidiocese.

“Que dizer da linha ferroviária Casa Branca/Beja que continua por eletrificar, ou as infraestruturas rodoviárias decisivas para o desenvolvimento da região baixo-alentejana e que não avançam, como é o exemplo da IP8/A26. É algo de incompreensível, tal como o facto de continuarmos a ter produtos, fruto desta grande revolução agrícola à volta do Alqueva e que não são aqui transformados”, lamenta o prelado que defende “a criação de um cluster agroindustrial para transformar os produtos das nossas terras.”

A indignação do prelado estende-se ao aeroporto de Beja, “um aeroporto de excelência que continua ali, parado, hibernado, sem ser aproveitado na sua potencialidade, um investimento que impressiona no seu estado de subaproveitamento”.

D. Francisco apela a uma “reflexão muito séria”, por parte dos que “são eleitos pelo povo e que tem as competências especificas” para o efeito.

“Um pastor, como eu, faz eco daquilo que a comunicação social não se cansa de referir, porém parece que, muitas vezes, em cesto roto”, num Alentejo atingido pela “desertificação”, e de onde “é necessário partir quando não se tem alternativas”, a não ser “uma sobrevivência estagnada.”

O arcebispo de Évora mostra-se, ainda, preocupado com a saúde, na região. Apesar dos recentes desenvolvimentos, que finalmente apontam para a construção da unidade, não deixa de lembrar que o novo Hospital Central do Alentejo, foi anunciado pela primeira vez, em 2004.

“Quinze anos e 5 governos depois, eis que regressou o tema, acalentando nova esperança aos alentejanos ainda que com o sabor agridoce da desconfiança”, refere, sublinhando que o sector da saúde “atinge aspetos lamentáveis”, sendo um dos campos onde “o investimento tem que acontecer para a qualidade de vida da nossa região.”

Afinal, questiona, “será esta uma terra para descansar? Sem duvida, mas nós queremos que seja também uma terra para trabalhar.”

Igreja diocesana convidada a ser “missionária da esperança”

Apesar das preocupações manifestadas pelo arcebispo de Évora, a esperança pauta o trabalho do prelado no arranque de mais um ano pastoral.

No próximo dia 5 de outubro, a partir das 9.30 horas, decorre o Dia da Igreja Diocesana, no Pavilhão dos Salesianos, em Évora, com a participação de párocos, movimentos e leigos, todos convidados a estarem presentes.

A assembleia diocesana, que marca o arranque do ano pastoral 2019-2020 na arquidiocese, vai contar com momentos de oração, uma conferência pelo Pe. Nunos Santos, reitor do Seminário de Coimbra, a apresentação das linhas gerais do Plano Pastoral, para além da alocução de D. Francisco José Senra Coelho.

O tema do triénio pastoral, “Discípulos Missionários da Esperança”, vai conduzir a arquidiocese alentejana até às Jornadas Mundiais da Juventude, a realizar em 2022, em Lisboa. Para este primeiro ano do triénio, 2019/2020, o tema a desenvolver, com recurso a inúmeras iniciativas, é “Procurar e Acolher os Sedentos da Esperança”.

Uma “igreja em saída” para celebrar outubro missionário

Foi em outubro de 2017 que o Papa Francisco proclamou o mês de outubro de 2019 como “Mês Missionário Extraordinário”, tendo como motor a celebração do centenário da promulgação da Carta Apostólica “Maximum illud”, do Papa Bento XV.

Numa Nota Pastoral, publicada recentemente, o arcebispo de Évora aproveita a proximidade do mês de outubro que marca o encerramento deste Ano Missionário, para “convidar cada um de vós a vivermos intensamente este mês missionário com gestos e atitudes que reflitam que somos e queremos ser mais e mais uma “Igreja em saída”, vizinha de todos e com todos comprometida”.

“O mundo e os tempos em que vivemos mudaram tanto que até a própria perceção do que é a Missão tem de ser diferente”, escreve o prelado, esclarecendo que “não estamos a falar apenas da evangelização dos povos que não conhecem a Cristo, promovida essencialmente pela “cristandade ocidental”, mas sim da evangelização da própria cultura ocidental, tão carecida do seu encontro com Jesus Cristo.”

Depois de um Inverno frio, segue-se a Primavera que “exprime força de vida”, acrescenta o arcebispo que lança um desafio: “Ao pedirmos que o Espirito Santo suscite uma nova Primavera missionária, estamos a pedir que sejamos capazes de reinventar o nosso ser cristão no mundo e na sociedade”, tornando-se num “desafio pessoal racional, mais apaixonado e mais vivo”, levando à “passagem de uma fé assente somente na herança da tradição, para uma fé assumida na convicção.”

A realização de uma Vigília de Oração pelas Missões, a participação na Peregrinação Nacional do Ano Missionário ao Santuário de Fátima, no dia 20 de outubro, e a realização de iniciativas locais no âmbito sócio caritativo, são algumas propostas elencadas para o mês que está a entrar.

O próprio arcebispo dá o exemplo e já divulgou a sua agenda que pretende espelhar o significado de uma “igreja em saída”.

Um encontro com a pastoral universitária, em Évora, outro com a comunidade do Centro de Recuperação de Menores, em Assumar e uma Vigília missionária com os Seminários eborenses, são alguns dos pontos que preenchem a agenda missionária de D. Francisco.

O prelado aproveita, ainda, o mês de outubro para visitar as capelanias dos hospitais de Évora e Elvas, assim como as capelanias dos estabelecimentos prisionais destas duas cidades.
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