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Luís António Santos
Opinião de Luís António Santos
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​Políticos em ponto morto/jornalistas mais centrados no Jornalismo

27 set, 2019 • Opinião de Luís António Santos


A quase ausência de soundbites de relevo na campanha e a cordialidade dos confrontos (apenas beliscada ao de leve pela interferência do assunto ‘Tancos’), permitiu a alguns e algumas jornalistas fazer trabalhos um pouco mais criativos, com maiores cuidados e artifícios técnicos e com uma escrita talvez menos agarrada à ‘mensagem do dia’ e mais orientada para a essência da reportagem.

A ‘Sondagem das Sondagens’, um excelente trabalho em que a Renascença recorre à colaboração de um académico da Universidade do Minho, mostra-nos, no presente, um cenário de vitória inequívoca do Partido Socialista, com o PSD a ganhar algum fôlego, o Bloco a segurar-se como terceira força, CDS e CDU a estabilizar e PAN a temperar entusiasmos vividos mais no primeiro semestre do ano.

É um quadro pouco entusiasmante do ponto de vista informativo, se estivermos a pensar na normal agitação das campanhas eleitorais. Tudo parece estar decidido, até mesmo a posição relativa de cada força. Compreende-se, assim, melhor o tom morno da primeira semana.

Curiosamente, esta aparente serenidade talvez tenha aberto espaço a trabalhos jornalísticos mais variados e interessantes do que noutros momentos eleitorais.

A quase ausência de soundbites de relevo e a cordialidade dos confrontos (apenas beliscada ao de leve pela interferência do assunto ‘Tancos’), permitiu a alguns e algumas jornalistas fazer trabalhos um pouco mais criativos, com maiores cuidados e artifícios técnicos e com uma escrita talvez menos agarrada à ‘mensagem do dia’ e mais orientada para a essência da reportagem.

Pode tudo mudar de um momento para o outro (basta, por exemplo, que ‘Tancos’ assuma outras proporções no fim de semana) e lá terão as agendas e os trabalhos que se acomodar à ditadura de circularidade infindável ‘reações a reações a reações’.

Mas esta foi, genericamente, uma semana boa para o jornalismo nacional. E, estando o sector tão ameaçado como sabemos (ainda há dias aqui falámos nisso), importa assinalar convenientemente o serviço de tantos e tantas profissionais.

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