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Uma viagem de carro sem condutor e em que cada passageiro ouve a sua rádio? Sim, será possível

25 set, 2019 - 20:01 • João Pedro Barros

Na apresentação do projeto de transformação digital "Smart Interiors", em que a Renascença participa, discutiu-se o automóvel do futuro. O habitáculo será uma autêntica sala de estar, para a qual o limite é a imaginação.

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Júlio Viana, professor do Departamento de Engenharia de Polímeros da Universidade do Minho, falou de uma viagem de regresso a casa em que os ocupantes do veículo estão a “apanhar sol”, “relaxados”, em “ambiente tropical”.

Esta foi apenas uma das várias ideias abordadas na tarde desta quarta-feira, no auditório do Grupo Renascença Multimédia, na apresentação do projeto de transformação digital "Smart Interiors", que será desenvolvido no âmbito do consórcio DTx - Laboratório Colaborativo em Transformação Digital.

Diogo Aguiam, do Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia (INL), imagina sensores instalados no veículo que podem medir tudo e mais alguma coisa, até se termos febre, por exemplo. E Gonçalo Silveira, da TMG Automotive, falou de estofos mais confortáveis e em que as nódoas são absorvidas automaticamente.

O "Smart Interiors" inclui a Renascença e várias empresas associadas ao ramo, como a Bosch e a Simoldes, as universidades Católica e do Minho e centros de investigação. O objetivo não é construir um novo automóvel de raiz, mas desenhar soluções inovadoras para o futuro da mobilidade.

“Não vamos fazer um carro inteiro”, frisou António Cunha, presidente do DTx. A ideia é desenvolver “componentes tecnológicos” que se possam consumar em “protótipos de modelos”, para depois serem integrados na indústria automóvel.

O primeiro projeto será de um assento, “possivelmente giratório”, com uma plataforma ou consola onde há vários conteúdos, que podem ser apresentados num ecrã ou projetados. Para além disso, o próprio banco terá um “ambiente audio localizado”: terminará assim para sempre a luta pelo controlo do autorrádio, um objeto “em vias de extinção”, admitiu José Mota, da Bosch Car Multimedia.

“Isto pode estar no mercado daqui a três anos, perfeitamente. Faltam 10 ou 15 anos para termos carros totalmente autónomos, antes continuarão a existir carros com volante, em que é possível conduzir. Porém, poderá perfeitamente desligar o controlo da viatura e virar-se para a família”, explicou António Cunha.

O carro será um espaço de lazer e de trabalho

O conceito de carro autónomo é um dos mais importantes nesta discussão, mas pensar no carro do futuro mexe com vários outras questões, como a legal – que dados pode o carro recolher para adequar o seu comportamento às nossas preferências? – e a ambiental.

A ideia de redesenhar o interior do carro do futuro como um “espaço adaptativo”, que pode ser de lazer, trabalho ou partilha com a família, está ainda interligada com um futuro em que se prevê que o automóvel não seja um bem, mas um serviço – entraremos no primeiro carro disponível da marca que subscrevermos para fazer a nossa viagem, e não no nosso veículo. Isto coloca até problemas de higienização.

“Teremos que ter em conta que, em princípio, as pessoas vão estar mais tempo dentro de um carro e que cada carro estará ocupado mais tempo. Como o tornar mais confortável? As questões dos estofos deixarão de ser apenas estéticas”, notou Gonçalo Silveira, da TMG Automotive, uma fabricante portuguesa de interiores para automóveis.

Também não é difícil imaginar o que traz a Renascença a este grupo de empresas, nomeadamente na área do infotainment. Para além de conteúdos dirigidos a vários segmentos, traz ainda o saber de mais de 80 anos a trabalhar a voz, um fator “decisivo”.

“Dos meios tradicionais somos o que mais facilmente se adapta aos novos tempos e tira deles partido”, sublinhou José Luís Ramos Pinheiro, do Grupo Renascença Multimédia, referindo-se à experiência já adquirida no segmento do vídeo, ao longo de quase 20 anos.

Os conteúdos poderão ser produzidos de novas formas e permitindo uma maior personalização: por exemplo, um passageiro poderá selecionar não só as notícias que quer ouvir, mas também se elas lhe são “dadas pela pessoa A, B ou C”. Para além disso, o administrador prevê que o carro se pode transformar num novo espaço de consumo, já que todos terão as mãos livres e tempo para fazer escolhas.

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