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Catarina Martins. Tancos “não deve ser um caso de eleições”

25 set, 2019 - 11:51 • Lusa

A líder bloquista não quer desviar-se do "que o Bloco de Esquerda disse sempre" sobre o caso: que "a justiça deve fazer o seu caminho".

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A coordenadora do Bloco de Esquerda (BE), Catarina Martins, defendeu, esta quarta-feira, que a questão de Tancos "não deve ser um caso de eleições" porque "já decorre há bastante tempo", escusando-se a fazer qualquer especulação uma vez que a acusação ainda é desconhecida.

O quarto dia de campanha oficial do BE começou com uma visita ao Mercado de Benfica, em Lisboa, no final da qual Catarina Martins foi questionada sobre se temia que o caso de Tancos contaminasse este período eleitoral e também sobre como via o envolvimento do nome do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que já declarou que "não é criminoso".

"Este é um caso que não é de agora e, portanto, que eu julgo que não deve ser um caso de eleições, até porque já decorre há bastante tempo. Como sabe a acusação ainda não se conhece e, portanto, eu não vou fazer qualquer tipo de especulação sobre essa matéria", começou por responder.

Sobre o caso de Tancos, a líder bloquista quis apenas "repetir o que o Bloco de Esquerda disse sempre", ou seja, que "a justiça deve fazer o seu caminho e deve apurar todas as responsabilidades e todas as consequências".

"Portugal é uma democracia e é assim que deve funcionar", concluiu.

Na terça-feira, em Nova Iorque, o Presidente da República reiterou nunca ter sido informado, por qualquer meio, sobre o alegado encobrimento na recuperação das armas furtadas de Tancos, e sublinhou que "é bom que fique claro" que "não é criminoso".

"Espero que seja a última vez que falo sobre a matéria, até porque se aguarda a todo o momento a acusação, no caso de ela existir, e o que haja a investigar contra quem quer que seja, sem qualquer limitação, seja investigado", afirmou.

A TVI noticiou nesse dia que o major da PJ Militar Vasco Brazão se referiu, numa escuta telefónica, ao Presidente da República, como o "papagaio-mor do reino", que, segundo ele, sabia de tudo.

Em declarações à TVI, o advogado de Vasco Brazão, Ricardo Sá Fernandes, afirmou que tal afirmação "não teve em mente atingir o Sr. Presidente da República".

"De resto, o meu representado não tem conhecimento que o sr. Presidente da República estivesse a par dos factos relativos ao achamento do material de guerra furtado em Tancos", disse Ricardo Sá Fernandes, àquela televisão.

O furto de armas de guerra nos paióis de Tancos foi divulgado em 29 de junho de 2017.

Um dos arguidos do processo é o ex-ministro da Defesa Nacional José Azeredo Lopes, que está proibido de contactar com os outros arguidos, com o seu ex-chefe de gabinete e com o antigo chefe de Estado Maior do Exército, general Rovisco Duarte.

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