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Primeiro-ministro canadiano pede perdão por ter pintado a cara de castanho há 20 anos

19 set, 2019 - 21:41 • Ricardo Vieira, com agências

O escândalo rebenta a poucas semanas das eleições. Justin Trudeau pediu desculpa ao país, a oposição conservadora considera que o primeiro-ministro liberal teve um comportamento racista, mentiu e não tem condições para governar.

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O primeiro-ministro canadiano, Justin Trudeau, está envolvido numa polémica a poucas semanas das eleições, depois de terem sido reveladas imagens com duas décadas em que aparece com a cara pintada de castanho.

O escândalo rebentou na quarta-feira, quando a revista “Time” publicou uma imagem de Justin Trudeau numa festa subordinada ao tema “Noites Árabes”, em 2001.

O primeiro-ministro canadiano, que na altura tinha 29 anos e era professor numa escola privada de Vancouver, foi acusado de racismo pela oposição e já pediu desculpa ao país.

Trudeau também admitiu ter interpretado uma música tradicional jamaicana com a cara pintada de castanho durante um espetáculo no liceu, anos antes. A emissora estatal divulgou uma imagem do momento cuja autenticidade já foi confirmada.

Quando a equipa do primeiro-ministro pensava que as coisas não podiam piorar, a Global News também divulgou um vídeo antigo em que Trudeau aparece com maquiagem escura a fazer caretas e a deitar a língua de fora.

A menos de cinco semanas das eleições, Trudeau realizou esta quinta-feira uma conferência telefónica com os 338 candidatos do Partido Liberal para tentar fazer controlo de danos.

“O primeiro-ministro pediu desculpas e lamentou o que aconteceu há 20 anos. Ele disse que este é o momento para nós continuarmos a trabalhar juntos para perceber a dor das pessoas que sofrem com o racismo e os estereótipos”, revelou um dos participantes na conferência.

Horas depois, em declarações aos jornalistas, o primeiro-ministro voltou a pedir perdão e garantiu que não vai desistir da corrida à reeleição.

Trudeau confessou que o facto de pertencer a uma família privilegiada – o seu pai, Pierre Trudeau, foi o primeiro-ministro – também significou um “ângulo morto” na forma como olhava para a sociedade.

“Venho de um local privilegiado e esforcei-me ao longo da vida para colocar as vantagens e oportunidades que me foram dadas ao serviço do país, para lutar pelos direitos do povo. Reconheço que desiludi as pessoas com aquela atitude e estou aqui hoje para refletir sobre isso e pedir perdão.”

Ao longo do seu mandato, Trudeau tem sido um defensor das comunidades índias, da igualdade étnica e da diversidade. O seu governo tem três ministros de ascendência indiana.

Greg Fergus, um deputado negro do Quebec, conta que o primeiro-ministro lhe telefonou antes do escândalo ser revelado e pediu-lhe desculpa.

“Não acredito que ninguém tenha vivido a sua vida sem cometer erros. Os canadianos devem olhar para todas as coisas fantásticas que fizemos pela diversidade”, Greg Fergus à agência Reuters.

As eleições canadianas estão marcadas para 21 de outubro. O escândalo pode dificultar a reeleição de Trudeau e o principal adversário, o líder do Partido Conservador, Andrew Scheer, não perdeu a oportunidade para criticar o primeiro-ministro.

Andrew Scheer considera que Trudeau teve um comportamento racista no passado e, agora, mentiu sobre a “extensão das suas atividades”.

O líder da oposição considera que o primeiro-ministro não tem condições para governar, mas também admitiu que foram os conservadores a entregar o vídeo à estação Global News.

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