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Costa e Cristas em debate cerrado com um "enorme fosso" político a separá-los

13 set, 2019 - 21:49 • Lusa

Presidente do CDS-PP alertou para o "perigo" de uma maioria de dois terços da esquerda no Parlamento, socialista falou de "aventureirismos" de reduções fiscais.
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Os líderes do PS, António Costa, e do CDS-PP, Assunção Cristas, travaram esta sexta-feira, na TVI, um debate cerrado, sem quaisquer pontos de consenso, com "um enorme fosso" a separá-los em termos de propostas políticas.

No final de 30 minutos de discussão dura, a presidente do CDS-PP deixou um alerta aos portugueses para os "perigos" de acordarem na manhã de 7 de outubro, dia seguinte às legislativas, com uma maioria de dois terços da esquerda no parlamento.

António Costa contrapôs que o perigo seria os portugueses acordarem no dia 7 de outubro com "aventureirismos" de reduções fiscais e procurou depois definir o PS como "o partido do bom senso, do equilíbrio político e da estabilidade".

A discussão entre os dois subiu de tom após uma intervenção de António Costa em que atacou as propostas programáticas do CDS-PP em matérias como acesso pago a universidades públicas, habitação e direito de propriedade e, nas políticas de natalidade, regresso a um mecanismo de apoios sociais por rendimento familiar.

A estes temas lançados, o secretário-geral do PS ainda juntou mais tarde um quarto, esse sobre as propostas fiscais do CDS-PP. E esses temas acabaram por dominar grande parte do debate, com a líder democrata-cristã a rejeitar as críticas que lhe foram apresentadas por António Costa.

Num ponto - e só num ponto - Cristas e Costa estiveram de acordo: Um enorme fosse separa as propostas do PS e as do CDS-PP.

Os perigos da "viragem à esquerda"

A presidente do CDS-PP abriu o debate com advertências sobre os perigos de o país virar à esquerda" nas próximas eleições legislativas, definiu-se sem ambiguidades no espaço político do centro-direita, acusou o Governo de ter gerado a maior carga fiscal de sempre e defendeu um Estado social de parceria, desde as creches aos lares de idosos - um Estado social que olhe para o mundo rural e para o interior do país.

Logo na sua primeira intervenção, o secretário-geral do PS passou ao ataque em relação às propostas programáticas do CDS-PP, dizendo que, entre os socialistas e o partido de Assunção Cristas, há "um enorme fosso" sobre a forma como se observa a sociedade.

"O CDS-PP propõe que quem não entra na universidade, por não ter nota suficiente, pode comprar o lugar na universidade, como se o dinheiro pagasse tudo", afirmou.

Sobre habitação, segundo Costa, o CDS-PP diz que no centro das políticas deve estará defesa do direito de propriedade.

"E o CDS-PP pretende recuperar o chamado quociente familiar, onde essa dedução seria de um percentual de rendimento, beneficiando as famílias mais ricas", declarou o secretário-geral do PS.

Em suma, de acordo com o líder socialista, o CDS-PP apresenta "uma visão profundamente injusta da sociedade".

Assunção Cristas, na resposta, assumiu também que há um "enorme fosso" face ao PS - "partido que prometeu virar a página da austeridade e criou a carga fiscal máxima em Portugal, asfixiando famílias e empresas".

Na questão do acesso pago à universidade, a presidente do CDS-PP contrapôs que um bom aluno que fique fora da universidade por escassas décimas, neste momento, só tem como alternativas fazer melhorias de nota para o ano seguinte, ir trabalhar ou ir para uma universidade no estrangeiro, fazendo aí o curso superior que pretende.

"Há já atualmente 17 vagas para alunos fora da União Europeia, em relação às quais se pode aceder pagando uma propina superior àquela que pagam os nossos alunos. Não estamos a subverter critérios", reagiu a líder democrata-cristã perante as críticas do secretário-geral do PS.

Na questão da habitação, Cristas negou a acusação de António Costa de que a sua lei de alegada liberalização das rendas tenha estado na origem de "uma onda de despejos", sobretudo de idosos e proprietários de estabelecimentos comerciais, contrapondo que os despejos são só 1,3% em relação ao total de contratos e, na sua maioria, cerca de 90%, acontecem por falta de pagamento de rendas.

"Espanta-me que António Costa traga esse exemplo quando a Câmara de Lisboa, liderada pelo PS, vendeu os terrenos da Feira Popular para escritórios e habitação de luxo. Curiosamente e ironicamente vai para lá a sede da Fidelidade", comentou.

Costa nega aumento de impostos

Neste debate, o fosso entre PS e CDS-PP continuou a aprofundar-se em matéria de propostas no domínio fiscal para os próximos quatro anos.

Assunção Cristas disse olhar para o programa do PS e ver nele "um aumento de impostos", principalmente em medidas como o englobamento de rendimentos de capital ou de rendimentos prediais.

"Um país com uma taxa de poupança tão baixa precisa de incentivar a poupança e precisa de incentivar um verdadeiro capitalismo popular", sustentou a líder democrata-cristã.

Aqui, o secretário-geral do PS rejeitou qualquer intenção de aumentar impostos na próxima legislatura, disse que "prosseguirá redução da carga fiscal sobre o trabalho", advogou que a carga fiscal atual é menor do que aquela que estava prevista pelo executivo PSD/CDS-PP de Passos Coelho e defendeu que, se fosse aplicado o programa do CDS-PP, geraria um "enorme desequilíbrio orçamental".

"Assunção Cristas quer baixar os impostos sobre os combustíveis fósseis, quando todos sabemos que temos de reduzir o seu consumo. Mas mais: as propostas do CDS, em matéria de redução do IRS e do IRC, conduziriam a um brutal desequilíbrio das nossas finanças públicas. Em 2023, significaria uma quebra de 5,2 mil milhões de euros de receita", acusou o líder socialista.

Costa disse mesmo que os números apresentados pelo CDS-PP "são simpáticos para eleitor ouvir", mas definiu esse programa como "aventureiro", gerando um aumento do défice "em mais de quatro mil milhões de euros".

"Isso não é verdade", ripostou a presidente da CDS-PP, dizendo que o programa do seu partido teve como base "o cenário oficial apresentado em Bruxelas" pelo Governo português.

"Há uma folga orçamental prevista. E é de elementar justiça que essa folga seja para baixar impostos, porque não foi ainda revogada a carga fiscal máxima", declarou.


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