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Chefes de urgência do Garcia de Orta demitem-se, administração diz que só houve uma reunião

12 set, 2019 - 21:34 • João Pedro Barros

Saída dos clínicos foi avançada pela Sociedade Portuguesa de Medicina Interna, que garante que “doentes do foro cirúrgico” ficam em perigo.
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A administração do Hospital Garcia de Orta, em Almada, nega a demissão de 10 chefes da equipa de urgência, avançada esta quinta-feira em comunicado da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI) e reiterada à Renascença pelo presidente João Araújo Correia.

De acordo com uma nota enviada também à Renascença pela assessoria de imprensa da unidade hospitalar, “nenhum diretor de serviço se demitiu”, tendo apenas havido uma reunião entre o diretor clínico e “um grupo de chefes de equipa do serviço de urgência geral”, que tinha enviado uma carta a “alertar para alguns problemas internos”.

Segundo o comunicado do SPMI, os chefes de equipa – “e outros tantos internistas” – enviaram uma carta à direção a pedir a demissão devido à “decisão do conselho de administração de retirar a cirurgia geral da presença física no serviço de urgência”.

“É evidente que isso levará a um esgotamento ainda maior dos internistas na Urgência, para além de pôr em perigo os doentes do foro cirúrgico, que ficam dispersos numa amálgama de doentes ainda maior”, explica o texto.

A administração do Garcia de Orta acrescenta que, na reunião realizada esta quinta-feira, “foram esclarecidas as dúvidas existentes e assumido o compromisso, por parte do conselho de administração, de adoção de medidas possíveis” para resolver as questões em causa. Para além disso, foi “marcada nova reunião para a primeira quinzena de outubro”.

O que está afinal em causa?

Em declarações à Renascença, João Araújo Correia explicou que a medida da administração deixa a medicina interna sozinha na urgência e, por isso, "não faz sentido absolutamente nenhum".

"Todos os doentes, médicos e cirúrgicos, passam a ter de ser observados e orientados por medicina interna e o cirurgião vem depois do doente estar observado, para validar essa observação e dizer se o doente precisa ou não de ser operado", esclareceu.

O presidente da SPMI frisou ainda que os médicos em causa "não vão deixar de trabalhar", mas tiveram de tomar esta medida porque "consideram posta em causa a própria especialidade" e "não podem cooperar e estar de acordo com uma situação que põe em causa a segurança" dos doentes.

Contactado pela agência Lusa, o secretário-geral do Sindicato Independente dos Médicos (SIM), Roque da Cunha, confirmou igualmente as demissões "por insuficiência de recursos humanos".

O SIM adianta que "vai fazendo chegar ao bastonário da Ordem dos Médicos as situações em que as equipas de urgência estão com um número de profissionais abaixo dos níveis desejados".

[Notícia atualizada ás 0h10 de 13/09]


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