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​BCE corta juro dos depósitos e retoma compras

12 set, 2019 - 14:39 • Henrique Cunha, com redação

A instituição liderada por Mario Draghi vai retomar a compra de títulos de dívida, a partir de novembro.
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O Banco Central Europeu (BCE) aprovou esta quinta-feira um novo pacote de estímulos, entre os quais a descida de uma décima da taxa dos depósitos bancários para -0,5%.

As outras duas taxas de juro diretoras do BCE mantêm-se inalteradas.

A instituição liderada por Mario Draghi vai retomar a compra de títulos de dívida, a partir de novembro.

O Banco Central Europeu vai aplicar 20 mil milhões de euros por mês nestas operações.

O objetivo das medidas é ajudar a travar a preocupação dos países e dos mercados com a descida da inflação e ajudar ao crescimento da economia da zona euro.

O BCE anuncia estas medidas num cenário de inflação baixa, a Alemanha a caminhar para uma recessão e com a guerra comercial entre Estados Unidos e China.

“O meu pessimismo é tanto quanto à solução como às razões que obrigam a esta solução"

Ouvido pela Renascença, José Reis, professor da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, declara-se pessimista em relação à eficácia destas medidas

O economista sublinha que “o capitalismo chegou a uma fase prolongada de estagnação e precisa de estímulos” e esta é a resposta que o BCE tem à sua disposição.

“É pelo menos aquela que o Banco Central Europeu tem na mão. E acontece também que o BCE é - por ventura - em termos europeus quem tem alguma coisa na mão. Isto é, que pode fazer aquilo que é próprio da sua esfera que é pôr mais dinheiro a circular, tornar o dinheiro e o crédito mais barato e procurar por aí que as economias despertem.”

Questionado se a próxima liderança do BCE, que ficará a cargo de Christine Lagarde, pode inverter o tipo de política que tem vindo a adotar nos últimos anos, José Reis tem sérias dúvidas.

“O meu pessimismo é tanto quanto à solução como sobretudo às razões que obrigam a esta solução e que tem a ver com a estagnação das economias e das sociedades. Quanto à nova liderança, admito que o Banco Central Europeu - nestas condições - não tem grandes saídas mais do que persistir nestas tentativas de trazer algum oxigénio a economias e sociedades que estão muito precisadas dele.”

A decisão do BCE agrada a quem tem crédito, mas não satisfaz quem aposta nos aforros e deixa o Estado português a esfregar as mãos dada a possibilidade de se financiar a custos mais reduzidos.

O professor da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra considera que “havia outras boas noticias que quer as pessoas quer os Estados quer a empresas poderiam receber”.

“E essa boa noticia era a de que o seu rendimento e a sua riqueza aumentassem. Isto é que os Estados tinham economias mais saudáveis e em primeiro lugar capacidades de receitas fiscais maiores e por outro lado menores necessidades de despesas. E as pessoas individualmente terem uma evolução de rendimento real. Agora estamos numa lógica micro, fechada de curto prazo. Mas estamos, se calhar, a pensar a um mês ou dois de vista. Quanto muito a um ano de vista. Não estamos a pensar num quadro de evolução que esteja mais afluente, mais abundante das sociedades e economias”, sublinha José Reis.

[notícia atualizada às 18h59]


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