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Comunidade surda peregrina até Fátima

11 set, 2019 - 20:32 • Teresa Paula Costa

Comunidade surda "sente-se parte, consegue perceber o que é dito, a mensagem de Deus, e isso faz toda a diferença”, afirma Sandra Faria, um dos 12 elementos do grupo de intérpretes de língua gestual portuguesa que colabora com o Santuário de Fátima.
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Comunidade surda peregrina até Fátima - reportagem de Teresa Paula Costa
Comunidade surda peregrina até Fátima - reportagem de Teresa Paula Costa

Fátima acolhe, nos dias 14 e 15 de setembro, a quinta peregrinação da comunidade surda em Portugal. Trata-se de uma peregrinação nacional promovida pelo Santuário, em conjunto com o Grupo de Intérpretes de Língua Gestual Portuguesa do Santuário, e que conta com a colaboração das Irmãs da Aliança de Santa Maria.

Participam nesta peregrinação vários grupos organizados de vários pontos do país incluindo as regiões Autónomas, nomeadamente os Açores.

A primeira peregrinação da comunidade surda ocorreu em setembro de 2015, dois anos depois do Santuário ter começado a oferecer uma missa semanal com interpretação em língua gestual, como forma de integrar e proporcionar as melhores condições àqueles que têm necessidades especiais.

Em maio de 2017, o Santuário ofereceu a interpretação em língua gestual portuguesa de todas as celebrações presididas pelo Papa Francisco, na Cova da Iria, quer em écrans no recinto de oração quer na sua página online, prática que tem sido continuada nas peregrinações de maio e outubro.

Na peregrinação das crianças, no passado mês de junho, o terceiro mistério do terço foi recitado por uma criança falante e uma criança surda e a própria missa foi interpretada em língua gestual portuguesa.

O diretor do departamento para o acolhimento de peregrinos, Pedro Valinho Gomes, diz à Renascença, que este é um esforço de integração que foi desenvolvido tendo em conta “toda uma série de peregrinos que, se não houver alguma iniciativa da parte do Santuário, poderão sentir-se excluídos de uma experiência de fé”.

Segundo Pedro Valinho Gomes, é “esta presença que sabemos que existe e o desejo de a intensificar que leva o Santuário de Fátima a apostar neste tipo de iniciativas”, sendo que aquela em que a presença desta comunidade “é mais constante e notória” é a missa da tarde de domingo, às 15h00, na Basílica da Santíssima Trindade, que tem interpretação em língua gestual portuguesa.

Surdos "sentem-se parte" das cerimónias de Fátima

Este é um esforço que os surdos agradecem. Segundo Sandra Faria, um dos 12 elementos do grupo de intérpretes de língua gestual portuguesa que colabora com o Santuário de Fátima, trata-se de uma iniciativa “muito importante para os surdos, porque eles, tal como a maior parte da população, recebem uma educação católica, mas, no fundo, de uma forma inconsciente” pois “é o modelo que têm em casa dos pais.”

A jovem, também ela filha de pais surdos, revela que “até agora, eles nunca entenderam os conceitos, o que é que dizem as leituras, as orações.”

Pela primeira vez, “eles estão a ter noção do que é realmente dito.” Até agora o que faziam era “imitar”, salienta a jovem intérprete, mas “não tinham acesso ao que realmente era dito e, agora, eles sentem-se parte, conseguem perceber o que é dito, a mensagem de Deus, e isso faz toda a diferença.”

Dois dias de peregrinação

O programa desta peregrinação começa no sábado, dia 14 de setembro, pelas 14h30, com a concentração, junto à Cruz Alta. Segue-se uma visita acompanhada a Aljustrel e Valinhos, uma “oportunidade para mostrar este outro lado de Fátima que é menos conhecido”, e que, segundo Pedro Valinho Gomes, “se enquadra na celebração do ano do centenário da morte do Francisco.” Pelas 21h00, tem início a peça de teatro «A Linguagem do Coração» no Centro Pastoral de Paulo VI.

Esta peça de teatro, com encenação é de Sofia Portugal é baseada na autobiografia de Emmanuelle Laborit, atriz, surda de nascença, agraciada com o Prémio Molière da revelação teatral e diretora do Teatro Visual Internacional em França. Uma peça que é “um apelo à inclusão, à fraternidade, que destrói barreiras”, revelou Pedro Valinho Gomes. Este momento cultural é aberto ao publico em geral.

No domingo, dia 15 de setembro, o programa tem início com uma catequese, na Capela da Ressurreição de Jesus, marcada para as09h30. No mesmo lugar, pelas 11h00, tem lugar uma celebração penitencial em grupo, havendo sempre, segundo Pedro Valinho Gomes, “a oportunidade para quem quiser abeirar-se de um sacerdote que, não sabendo falar em língua gestual, encontrará outras formas de se fazer entender.”

Pelas 14h30, haverá uma saudação, na Capelinha das Aparições. A missa, na Basílica da Santíssima Trindade, será às 15h00. O programa termina com uma Visita acompanhada à Exposição Temporária Capela Múndi.


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