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Paulo Rangel e Francisco Assis debatem a política nacional e europeia. Quarta às 13h.
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Casa Comum - Prós e contras de uma maioria absoluta - 11/09/2019
Casa Comum - Prós e contras de uma maioria absoluta - 11/09/2019

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“Maioria absoluta na mão deste PS e deste primeiro-ministro seria muito negativa”

11 set, 2019 • José Pedro Frazão, com redação


No programa Casa Comum desta semana, o social-democrata Paulo Rangel alerta para os riscos de uma maioria absoluta. O socialista Francisco Assis considera que a “Geringonça” aconteceu num contexto interno e externo irrepetível.

“Uma maioria absoluta na mão deste PS e deste primeiro-ministro seria muito negativa”, alerta o social-democrata Paulo Rangel no programa Casa Comum da Renascença. O socialista Francisco Assis considera que vem aí um tempo diferente e a “Geringonça” aconteceu “num contexto interno e externo irrepetível”.

Numa altura em que as sondagens colocam o PS perto de uma maioria absoluta nas eleições legislativas de 6 de outubro, Paulo Rangel mostra-se preocupado com os aspetos negativos desta solução governativa e recorda os tempos de José Sócrates.

“O PS de José Sócrates, entre 2005 e 2009, foi um exercício de maioria absoluta muito muito negativo e os protagonistas são os mesmos. Estamos a falar de António Costa, Vieira da Silva e Augusto Santos Silva que faziam parte desse Governo, do mesmo núcleo duro concentrado de personalidades. Uma das coisas que tiveram muito negativa, foi uma tendência enorme para a manipulação e para o controlo social e, em particular, mediático.”

Para o eurodeputado, António Costa até “é mais hábil do que Sócrates, mas não é muito diferente ao nível do controlo” mediático. “Uma maioria absoluta na mão deste PS e deste primeiro-ministro seria muito negativa”, sublinha.

O socialista Francisco Assis considera que o problema das maiorias absolutas passa por a sociedade portuguesa ser “pouco liberal, não ama suficientemente a liberdade”, e, por isso, “inclina-se excessivamente perante o poder, de esquerda ou direita”. Quando há maioria absoluta “perde-se um pouco o sentido critico” e “isso pode dar origem a alguns abusos”, admite.

O antigo eurodeputado recorda-se “bem dos abusos” cometidos durante a maioria absoluta de Cavaco Silva. Os autarcas eram tratados de forma desigual consoante a cor política e havia “tentativas claras de controlo da comunicação social”, afirma.

Francisco Assis admite “que tenha havido comportamentos censuráveis na maioria absoluta de Sócrates, do ponto de vista de uma certa vontade de dominar e controlar excessivamente, porque quem está no poder percebe que há uma sociedade disponível para isso. Esse é que é o grande problema do país”.

O comentador socialista considera que a “habilidade” de António Costa também serviu para resolver crises como a dos professores e dos motoristas de matérias perigosas. “Fora isso, não vejo em António Costa uma pessoa especialmente propensa para abusar e para utilizar a maioria absoluta para por em causa alguns princípios fundamentais do nosso Estado de direito democrático”, defende.

Geringonça aconteceu “num contexto interno e externo irrepetível”

Em relação à futura solução de Governo depois das legislativas de 6 de outubro, Francisco Assis afirma que vem aí um período muito diferente e considera que a “Geringonça” aconteceu num contexto interno e externo irrepetível.

“Eu creio que o período que vem aí é um período muito distinto do período anterior. Foi possível este entendimento num contexto nacional e internacional irrepetível. Um contexto nacional porque havia uma vontade clara de impedir um novo Governo do PSD e do CDS, por parte das três forças políticas que firmaram. Do ponto de vista externo, também as condições foram muito propícias do ponto de vista do envolvimento económico”, afirma o comentador no programa Casa Comum.

Para Francisco Assis, era “muito fácil estar de acordo” com o que motivou o entendimento entre esses partidos, nomeadamente matérias como devolução de salários e pensões.

“Em tudo aquilo que foi mais complexo não houve praticamente nenhum acordo entre o PS e os partidos à esquerda. Isto abre perspetivas para uma solução diferente”, remata Francisco Assis.

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