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Quer ter um navio de investigação do IPMA? Há três à venda

10 set, 2019 - 08:00 • Celso Paiva Sol , João Pedro Barros

Hasta pública está marcada para 17 de setembro e inclui três embarcações que o Instituto Português do Mar e da Atmosfera usou para estudar rios e oceanos.
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Três navios de investigação do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) vão a hasta pública a 17 de setembro, sendo que duas das embarcações estão actualmente inoperacionais. As base de licitação variam entre os 300 euros e os 170 mil euros – uma margem grande devido ao diferente estado de conservação dos barcos.

O navio mais caro é o “Tellina”, não só porque continua operacional mas também porque tem características bastante mais atrativas. Tem 17 metros de comprimento e, para além da vertente de investigação, tem as licenças necessárias e equipamentos para pescar.

É um “navio orientado para a pesca costeira e para a investigação”, sobretudo para a apanha de bivalves e para o estudo de levantamentos de multifeixe, ou seja, para perceber como é que se desenha o fundo do mar.

“Isto é importante, por exemplo, para se perceber onde é que há areia disponível para a realimentação de praias e, na parte dos bivalves, para se fazerem estudos de qualidade, para se saber se estão em época de serem consumidos ou não”, explica Mafalda Carapuço, coordenadora do núcleo de navios de investigação do IPMA.

O "Tellina" tem 16 anos de vida e uma embarcação “gémea”, o "Diplodus", suficiente para assegurar as necessidades do IPMA. Mafalda Carapuço garante que “está dotado com tudo aquilo que permite pesca costeira”, incluindo redes, luzes de navegação, guinchos e equipamentos de navegação.

Com base de licitação fixada em 40 mil euros está o “Puntazzo”, um navio mais pequeno, com 11,5 metros, que durante anos foi usado no apoio no estudo da aquacultura. Está em doca seca na Marina Formosa, em Olhão.

Também parado está o “Estuário”, com apenas cinco metros de comprimento e casco de fibra. Enquanto esteve ativo trabalhou sobretudo em missões no rio Tejo. A base de licitação é de 300 euros e o próprio IPMA não esconde que a mais valia está no atrelado que o acompanha.

IPMA não fica a ver navios

Se estas embarcações foram vendidas, a frota do IPMA fica reduzida a três navios: o já mencionado “Diplodus”, que irá continuar a capturar diversas espécies ao longo da costa para posterior investigação, o “Noruega”, que pela sua maior dimensão está vocacionado para trabalhar ao largo – não só na pesca para investigação mas também na geografia e geofísica –, e o "Mar Portugal", que é a grande aposta do instituto.

Trata-se de um navio de 75 metros, adquirido em 2015 e preparado para fazer todo o tipo de investigação. Com a sua aquisição, Portugal ganhou outra capacidade de contribuir para o esforço europeu nesta área.

“É importante conhecermos melhor o fundo dos nossos oceanos e o que é que se passa nessa massa de água. Isto influencia uma série de coisas de que às vezes não temos perceção. Por exemplo, se vai haver sardinha no Santo António ou se vamos ter que mudar algumas rotinas na nossa alimentação, porque os stocks estão em risco”, exemplifica Mafalda Carapuço.

A coordenadora do IPMA recorda ainda a questão da poluição e reciclagem: “Temos colegas que olham para o peixe numa perspetiva diferente, que não tem a ver com a avaliação dos stocks e sim com os conteúdos estomacais, se têm plástico ou não”.

A hasta pública das três embarcações está marcada para dia 17, às 10h00, na sede do IPMA, em Lisboa.


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