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Adepta imolou-se depois de ser detida por tentar entrar num estádio no Irão

10 set, 2019 - 17:11

Sahar Khodayari só queria ver o clube do seu coração. Foi detida e ameaçada com seis meses de prisão, mas preferiu morrer. Um dia haverá um estádio com o seu nome, diz o ex-capitão da seleção iraniana.
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Morreu na passada segunda-feira a adepta iraniana que se imolou pelo fogo depois de ter sido ameaçada com seis meses de prisão por tentar assistir a um jogo da equipa do seu coração.

Sahar Khodayari, de 29 anos, era adepta do Esteghlal, um dos clubes mais populares de Teerão, e em março foi detida ao tentar entrar no estádio Azadi, na capital iraniana, disfarçada de homem.

Enfrentando uma possível pena de seis meses, caso fosse condenada, Khodayari decidiu imolar-se pelo fogo às portas do tribunal na segunda-feira dia 2 de setembro. Morreu uma semana mais tarde, devido aos ferimentos.

As mulheres estão impedidas de entrar em estádios para assistir ao vivo a jogos de futebol, embora o Governo da República Islâmica tenha aberto raras exceções no passado. A FIFA deu à federação local um ultimato para explicar que medidas estão a ser tomadas para garantir o acesso a mulheres. O presidente do órgão máximo do futebol, Gianni Infantino, disse numa carta que “embora estejamos conscientes dos desafios e da sensibilidade cultural, simplesmente temos de continuar a fazer progressos neste campo, não só porque o devemos às mulheres em todo o mundo, mas também porque temos a responsabilidade de o fazer ao abrigo dos princípios básicos contidos nos estatutos da FIFA”, segundo o jornal britânico "The Guardian".

A morte de Khodayari já motivou reações de várias figuras ligadas ao futebol, incluindo jogadoras da seleção feminina sueca e até do ex-capitão da seleção masculina iraniana, Andranik Teymourian, o primeiro cristão a desempenhar esse cargo, que disse que um dia haverá no país um estádio com o nome de Sahar.

A morte de Khodayari foi também lamentada pela deputada Parvaneh Salahshouri, que a apelidou de “menina do Irão”, dizendo que “todos somos responsáveis”. O ministro da Informação, Mohammad-Javad Azari Jahromi disse que a morte da mulher de 29 anos era um “incidente amargo”.


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