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Papa pede a mauricianos que se recordem do seu ADN e acolham os migrantes

09 set, 2019 - 15:03 • Aura Miguel , Filipe d'Avillez

Num país que está particularmente sujeito à subida dos níveis do mar, provocada pelas alterações climáticas, Francisco recordou que o verdadeiro desenvolvimento económico não deve sacrificar nem pessoas nem o ambiente.
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Papa pede a mauricianos que se recordem do seu ADN e acolham os migrantes

O Papa Francisco fez um apelo, esta segunda-feira, para que os habitantes das Ilhas Maurícias não esqueçam o seu próprio passado e acolham bem quem chega à região à procura de trabalho e de uma vida melhor.

Discursando diante de representantes políticos e da sociedade civil, bem como do corpo diplomático, Francisco disse que a migração faz parte do ADN dos mauricianos.

“O ADN do vosso povo guarda a memória destes movimentos migratórios que trouxeram os vossos antepassados até esta ilha e que os levaram também a abrir-se às diferenças para as integrar e promover tendo em vista o bem de todos.”

“Por isso mesmo, na fidelidade às vossas raízes, vos animo a assumir o desafio de acolher e proteger os migrantes que hoje chegam aqui à procura de trabalho e, para muitos deles, à procura de melhores condições de vida para as suas famílias. Tende a peito acolhê-los como os vossos antepassados souberam acolher-se uns aos outros, como protagonistas e defensores duma verdadeira cultura do encontro, que permita aos migrantes e a todos ver reconhecida a sua dignidade e os seus direitos”, concluiu Francisco.

Francisco passou o dia inteiro na Ilha Maurícia antes de regressar ao Madagáscar para pôr fim à sua viagem apostólica a África, que ainda incluiu passagem por Moçambique.

O bem-estar nas Maurícias contrasta muito com a pobreza generalizada em Moçambique e extrema no Madagáscar e Francisco não deixou de se referir a ela, congratulando os responsáveis pelo país, mas alertando para outros perigos.

“Depois da independência, o vosso país registou um intenso desenvolvimento económico, de que devemos certamente rejubilar, mas sem deixar de permanecer vigilantes. No contexto atual, muitas vezes parece que o crescimento económico nem sempre beneficia a todos e até deixa de lado – devido a certas estratégias da sua dinâmica – um número considerável de pessoas, especialmente jovens”, disse.

“Gostaria de vos animar no desenvolvimento de uma política económica orientada para as pessoas, que seja capaz de favorecer uma melhor distribuição das entradas, a criação de oportunidades de trabalho e a promoção integral dos mais pobres. E animar-vos a não ceder à tentação dum modelo económico idolátrico que precisa de sacrificar vidas humanas no altar da especulação e da mera rentabilidade, que tem em conta apenas o benefício imediato em detrimento da proteção dos mais pobres, do meio ambiente e seus recursos.”

“Trata-se de prosseguir com aquela atitude construtiva que impele a incentivar uma conversão ecológica integral. Tal conversão visa não só evitar fenómenos climáticos tremendos ou grandes desastres naturais, mas procura também promover uma mudança nos estilos de vida para que o crescimento económico possa verdadeiramente beneficiar a todos, sem o risco de causar catástrofes ecológicas nem graves crises sociais”, concluiu Francisco.

O Papa regressa agora ao Madagáscar mas já não tem agenda pública naquele país, de onde parte novamente para Roma, na terça-feira.


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