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presidente do Conselho de Reitores

Ensino superior. "Instituições têm que se adaptar a novos cenários"

09 set, 2019 - 11:05 • Redação

O presidente do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas esteve nas Três da Manhã, nesta segunda-feira em que arranca a segunda fase de candidaturas ao ensino superior.

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Os reitores têm de repensar a oferta de cursos depois de concluídas as três fases de colocação no ensino superior. A prioridade é definida pelo presidente do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP), António Fontaínhas, na Renascença.

“É necessário, sem dúvida alguma, existir um maior equilíbrio na procura, mas também ajustamentos na oferta”, afirma.

“Esses ajustamentos têm de ser graduais, uma vez que as instituições têm que se adaptar a novos cenários, mas o Conselho de Reitores tem mostrado interesse, quer nesta adaptação ao mercado de trabalho quer na racionalização da oferta por parte das instituições. É uma matéria que tem de ser trabalhada de forma gradual”, insiste.

Na primeira fase de colocação no ensino superior, não houve candidatos para quase quatro dezenas de cursos – algo difícil acontecer, por exemplo, no campo das engenharias ou cursos de física e tecnologia.

Na opinião do presidente do CRUP, os próprios alunos já escolhem os cursos de acordo com a oferta no mercado de trabalho.

“Já se percebeu que jovens diplomados demoram menos tempo a conseguir um emprego e que os ganhos salariais são superiores, portanto, trata-se de um investimento que tem um elevado retorno, quer para as famílias quer para a sociedade, e como tal os jovens adaptam as suas procuras e opções em relação ao mercado de trabalho”, sustenta.

Existe um “claro subfinanciamento do ensino superior”

Entrevistado no programa As Três da Manhã, António Fontaínhas avança ainda que as universidades só receberam parte da compensação financeira pela redução de propinas.

O acerto só deverá ser feito em outubro, quando o processo de colocações estiver terminado, adianta.

“As universidades já tiveram indicadores, já receberam uma parte desse montante, mas é algo que terá de ser acertado no próximo mês, uma vez que é aí que saberemos o resultado final das colocações e teremos mais ou menos estabilizado o número de estudantes. Com base nesse número, poderá ser efetuado o cálculo”, explica.

“Mas é fundamental mais uma vez reforçar que Portugal – e não queria falar apenas nas universidades – mostra um claro subfinanciamento em termos de ensino superior”, sublinha.

Nesse sentido, o presidente do CRUP apela aos “partidos do arco governamental” que deem “um sinal claro para uma correção deste subfinanciamento”, agora que nos aproximamos “de um novo ciclo político”.

António Fontaínhas defende mudanças com “critérios claros, de acordo com a qualidade de ensino e um conjunto de parâmetros a definir e a estabelecer, sendo também desejável existir alguma estabilidade para os próximos quatro anos”.

Nesta segunda-feira, começa a segunda fase de candidatura ao ensino superior, que se prolonga até dia 20.

Na primeira fase de acesso, os dados mostram que as médias mais altas continuam a estar nos cursos de engenharia.

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