Águia “Lúcifer” expulsa gaivotas num hotel de luxo de Gaia

07 set, 2019 - 12:30 • Lusa

Está em missão desde o início de agosto, depois de terem fracassado outros meios. Foi batizada de Nemo, mas o nome não assustava tanto... Nasceu Lúcifer, o terror das gaivotas.
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Missão? Acabar com o ataque das gaivotas às esplanadas. Quem? Lúcifer, uma águia-de-Harris de cinco anos, marca presença diária desde agosto, num hotel de luxo de Vila Nova de Gaia.

Da espécie "Parabuteo unicinctus", foi comprada com seis meses a um criador e ensinada na Quarteira, no Algarve, viajando no último mês para o Porto para passar a estar três horas por dia no hotel "The Yeatman" e ser a solução, depois de várias alternativas testadas serem contornadas pelas gaivotas.

Os esforços anteriores passaram por “sistemas de som, redes, mochos de plástico colocados no telhado e, por último, pássaros negros em papel, simbolizando águias, que a inteligência das gaivotas, pouco depois, contornou”, descreveu Nuno Silva, diretor de alojamento do hotel.

Distribuído por nove pisos na encosta de Vila Nova de Gaia, com várias esplanadas e uma piscina, depressa a administração do hotel percebeu que "tinha ali um problema, nomeadamente de manhã, na altura dos pequenos-almoços”, mas a “solução tardou em ser encontrada”, contou o responsável.

De Nemo a Lúcifer

Um contacto com a empresa TFalcon, da ilha da Madeira, abriu a porta à atual solução, uma águia-de-Harris, que começou por chamar-se Nemo, mas que acabou batizada de Lúcifer, porque o “nome anterior não assustava tanto”, contou, entre sorrisos, o falcoeiro Eduardo Esteves, enquanto exibia a ave que, pelo seu pequeno porte, é comummente confundida com um falcão.

Três horas por dia, sete dias por semana, a ave de rapina surge entre as 8h00 e as 8h30 na esplanada do nono piso do hotel para acabar com a presença das gaivotas, como comprovou a Lusa no momento em que Lúcifer, no braço do falcoeiro, chegou ao seu local, onde estava uma gaivota atenta às mesas, e que imediatamente abandonou o local.

Alternar os horários entre a manhã e a tarde, “para passar às gaivotas a impressão de que a águia está sempre presente”, explicou à Lusa o falcoeiro, é uma aposta de futuro num projeto com outra questão essencial: o controlo da agressividade da ave.

Instinto de caçar controlado

Com o peso controlado diariamente e, no melhor cenário, pesando sempre entre as 650 e 660 gramas, Lúcifer tem, dessa forma, o seu instinto de caçar controlado pela ação do falcoeiro, que a alimenta na luva com frequência durante a vigilância.

“Se o peso estiver controlado, não há o risco de atacar as gaivotas”, disse Eduardo Esteves, exemplificando logo depois com o assobio que fez a ave voar do parapeito da esplanada para a luva para comer mais um pedaço de carne.

Em funções desde 1 de agosto, a “ação da águia alterou por completo o cenário, que até então era de 10 gaivotas a rondar aquele espaço, passando para apenas uma”, contou o responsável do hotel.

Em face do “grau de satisfação da administração do hotel e dos clientes”, Nuno Silva admitiu à Lusa que o horário “poderá a vir a ser alargado”, passando a abranger, também, a “zona da piscina” onde é frequente as “gaivotas também aparecerem, e não apenas para beber água”.

Por forma a rentabilizar as funções da águia, está a ser negociada a vigilância de um novo espaço de restauração no Porto, desta vez para afastar os pombos da esplanada.

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