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Violência na África do Sul. Cinco lojas de portugueses já foram atacadas

08 set, 2019 - 13:22 • Lusa

Fórum Português, com cerca de 8.000 membros no país, convocou uma reunião para debater o tema. Polícia sul-africana já deteve 497 pessoas desde o início dos saques e alegada violência xenófoba na província de Gauteng.
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Subiu para cinco o número de lojas de comerciantes portugueses identificados pela Lusa que foram alvo de saques e destruição material, durante a alegada violência xenófoba popular em Joanesburgo e cidades vizinhas, mas o balanço é ainda provisório.

Segundo o levantamento feito pela Lusa, os prejuízos materiais ascendem agora a 11,3 milhões de rands (cerca de 691 mil euros).

Ângelo Agostinho, 77, proprietário do supermercado Pick'n'Buy, na Western Road, em Germiston South, Ekhuruleni (Leste de Joanesburgo), relatou este domingo à Lusa que o estabelecimento foi alvo de "repetidos saques" na noite de segunda-feira e nas primeiras horas da madrugada do dia seguinte, por mais de uma centena de populares.

"Pareciam formigas para cá e para lá porque arrombaram o estabelecimento por dois lados, pela frente e por trás e aquilo era só acartar", descreveu este comerciante português que acredita ter sido saqueado também pelos "próprios clientes".

O supermercado do comerciante português foi o único negócio naquela zona a ser atacado por populares, sublinhou o septuagenário, acrescentando que a polícia não efetuou detenções no local durante a ocorrência do incidente.

Questionado pela Lusa sobre a atuação da polícia sul-africana, Ângelo Agostinho disse que "a polícia nada fez.

Este comerciante madeirense, natural de Ponta de Delgada, imigrado na África do Sul desde 1962, estima agora em 2,5 milhões de rands (cerca de 150 mil euros) o prejuízo no negócio, que inclui um supermercado de 1.300 metros quadrados.

Organização de portugueses reúne-se

A organização não governamental Fórum Português da África do Sul, com cerca de 8.000 membros no país, convocou para este domingo um encontro, em Benoni, leste de Joanesburgo, para discutir a destruição e pilhagem de negócios de comerciantes portugueses em Joanesburgo e arredores.

De acordo com esta ONG, cerca de 460 portugueses foram assassinados na África do Sul desde a queda do ‘apartheid' em 1994.

Segundo as autoridades consulares portuguesas, cerca de 200 mil cidadãos encontram-se registados na África do Sul, 68 mil destes na Grande Joanesburgo.

A polícia provincial de Gauteng, que abarca Joanesburgo, Pretória, Ekhuruleni, Kempton Park, Benoni e Germiston, epicentros de saques violentos, confirmou a morte de 11 pessoas e a pilhagem e destruição de vários negócios, na maioria de imigrantes estrangeiros.

"A polícia pode confirmar a morte de 11 homicídios durante este período dos quais sete pessoas morreram em resultado dos incidentes de violência [xenófoba]", disse no sábado o porta-voz policial Mathapelo Peters.

A polícia anunciou também a detenção de 497 pessoas, desde o início, no passado domingo, dos saques e alegada violência xenófoba na província de Gauteng, a mais populosa da África do Sul.


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