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Investigadores estudam novas tecnologias para travar vespa asiática

07 set, 2019 - 09:10 • Olímpia Mairos

Projeto “GoVespa”, da UTAD, estuda a aplicação de novas tecnologias que permitam seguir o voo das vespas até ao ninho. O objectivo é apanhar as rainhas, na primavera, a fim de evitar a criação de novas colónias.
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A crescente proliferação de ninhos de vespas velutinas ou vespa asiática em Portugal está a preocupar a comunidade científica, que tem vindo a estudar soluções para travar a ameaça, que põe em causa a sobrevivência da apicultura e a própria vida humana.

No âmbito do projeto “GoVespa”, investigadores da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), estão a estudar a aplicação de novas tecnologias que permitam seguir o voo das vespas até ao ninho, a fim de monitorizá-lo, avaliando a melhor forma de o destruir, assim como as dinâmicas das vespas na zona envolvente.

Segundo José Aranha, docente e investigador do departamento de Ciências Florestais e Arquitetura Paisagista da UTAD, “é fundamental apanhar as vespas fundadoras (rainhas) no início da primavera, de modo a que não criem colónias e não se dispersem, sendo que se impõe a deteção precoce de ninhos e a procura de ninhos primários, para tentar apanhar as fundadoras”.

O investigador admite, no entanto, que a deteção dos ninhos nem sempre é tarefa fácil já que, “se alguns podem localizar-se em árvores baixas ou em telhados, sendo, por isso, facilmente visíveis, outros localizam-se em árvores altas, como, por exemplo, eucaliptos adultos. E, neste caso, é muito difícil ver os ninhos, não só pela distância ao solo como pelo facto desta espécie florestal apresentar folhas todo o ano”.

A equipa de investigação da UTAD propõe, por isso, um procedimento que obedece à metodologia de captura de vespas vivas, sem as ferir, colocação de um micro transmissor no dorso, ligar um RADAR Marítimo e identificar o micro transmissor, libertar as vespas e seguir o seu voo quer através do RADAR quer através de uma câmara instalada a bordo de um veículo aéreo não tripulado (VANT – Drone), filmar e fotografar o ninho e, por fim, fazer voos nas imediações dos ninhos identificados e procurar novos ninhos.

Os dados serão, posteriormente, inseridos no Sistema de Informação Geográfica, já criado e usados para melhorar o modelo de suscetibilidade à dispersão da Vespa velutina. Este modelo de dispersão permitirá concentrar esforços de localização de ninhos secundários e eleger áreas prioritárias onde colocar as armadilhas primárias.

Ameaça para a apicultura e saúde pública

A vespa velutina nigrithorax entrou em Portugal em 2011. É uma espécie não-indígena, predadora da abelha europeia (Apis mellifera), proveniente de regiões tropicais e subtropicais do norte da India, do leste da China, da Indochina e do arquipélago da Indonésia.

Na época da primavera constroem ninhos de grandes dimensões, preferencialmente em pontos altos e isolados. Esta espécie distingue-se da espécie europeia Vespa crabro pela coloração do abdómen (mais escuro na vespa asiática) e das patas (cor amarela na vespa asiática).

Os principais efeitos da presença desta espécie não indígena manifestam-se em várias vertentes, sendo de realçar na apicultura, por se tratar de uma espécie carnívora e predadora das abelhas e também para a saúde pública, não sendo mais agressivas que a espécie europeia, no caso de sentirem os ninhos ameaçados reagem de modo bastante agressivo, incluindo perseguições até algumas centenas de metros.


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