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Legislativas 2019

PCP fecha a porta à revisão constitucional e à maioria absoluta do PS

06 set, 2019 - 21:45 • Susana Madureira Martins

Jerónimo de Sousa abriu a Festa do Avante! esta sexta-feira na Quinta da Atalaia com um discurso contra a maioria absoluta dos socialistas nas legislativas de outubro e uma fábula de Lafontaine à mistura.
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Em mangas de camisa branca e calça bege Jerónimo de Sousa aproximou-se do microfine do pavilhão central da Quinta da Atalaia para ler o habitual discurso escrito de abertura da Festa do Avante! e em dez minutos percebeu-se ao que vinha: que é preciso “impedir a maioria absoluta do PS”.

O secretário-geral do PCP a criticar “os grandes interesses económicos e financeiros”, esses que apenas “querem hoje duas coisas: garantir a maioria absoluta do PS e ao mesmo tempo enfraquecer a CDU”, a coligação que integra comunistas, Verdes e a Intervenção Democrática.

Para o líder do partido existe “uma falsa argumentação para ocultar aquilo que é uma evidência”, ou seja, que “o voto na CDU conta, e conta bem, para impedir a maioria absoluta do PS”. E por várias vezes ficou mais ou menos claro o apelo ao voto dos portugueses. Por exemplo, “é preciso que os trabalhadores e o povo não vão ao engano” ou “por isso é tão importante dar mais força à CDU”.

Tudo para “garantir que não se anda para trás”. É que a “legislatura não acabou” e Jerónimo acusa o governo de “dar o dito por não dito, por exemplo, na gratuitidade dos manuais escolares” e de recusar “particularmente às crianças do primeiro ciclo o direito a terem um livro novo”.

Mas “também noutros domínios os sinais são muitos” sobre um eventual recuo no que já foi conquistado, conclui o líder comunista. Jerónimo fala das “convergências de PS, PSD e CDS no abrir da bolsa dos dinheiros públicos para a banca ou nas leis laborais” e alerta contra a “abertura de portas a uma revisão constitucional e às leis eleitorais para garantir maiorias governativas, com minorias de votos”.

Isso significaria, segundo Jerónimo de Sousa, “falsificar a expressão da vontade popular e dificultar o surgimento de uma verdadeira alternativa”, alternativa essa que o líder comunista garante que só o PCP é portador.

Ao estilo que lhe é tão característico de ir buscar um ditado, um provérbio ou uma história popular para simplificar o discurso e uma ideia, Jerónimo de Sousa lembrou a fábula de Lafontaine da raposa e das uvas para defender a realização da Festa do Avante!

No único improviso deste discurso, o líder comunista falou dos que defendem “que já não se usa a mobilização e a participação política em iniciativas e comícios” nas campanhas eleitorais. E aí lembrou que também a raposa de Lafontaine “que bem saltava, bem saltava, bem saltava, mas nunca conseguia chegar e então desabafou «estão verdes, não prestam», é como aqui esta grande concentração, está verde, não presta, porque não a conseguem fazer em nenhuma circunstância”, arrancando gargalhadas e aplausos nas centenas de pessoas a assistir.

O toque final do discurso foi o estafado slogan da Festa do Avante!, com Jerónimo a clamar que “não há festa como esta".


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