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Debate. Costa e Jerónimo em choque por causa da lei laboral

02 set, 2019 - 21:43 • Redação

No primeiro debate televisivo para as eleições legislativas, o secretário-geral do PCP recusou dizer se confia no PS para uma próxima “Geringonça”. Jerónimo de Sousa avisa António Costa que nunca vai aprovar um Orçamento que retire direitos aos trabalhadores.
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António Costa e Jerónimo de Sousa estiveram esta segunda-feira frente a frente na SIC, no primeiro debate televisivo, para as eleições legislativas de outubro. A eventual repetição da “Geringonça” esteve no centro das atenções, mas a legislação laboral foi o principal foco de conflito entre os líderes de PS e PCP.

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, recusa dizer se confia no PS para uma próxima “Geringonça” e criticou as alterações à lei laboral aprovadas pelos socialistas.

“O Governo colocou ali uma norma em que o jovem à procura do primeiro emprego pode andar uma vida inteira a rodar em período experimental. Não é por acaso que os patrões estiveram de acordo com estas alterações”, disse Jerónimo de Sousa.

Na réplica, o líder socialista saiu em defesa das mexidas na legislação laboral. “Esta é a primeira lei, desde 1976, que, em vez de comprimir direitos, alarga os direitos dos trabalhadores. Compreendo que Jerónimo de Sousa queria ir mais além, mas lei é importante”, sublinhou António Costa.

Jerónimo de Sousa recordou que em, 1976, foi aprovada uma lei dos contratos a prazo que, na altura se dizia que iria ter um impacto reduzido, mas décadas há centenas de milhares de trabalhadores nestas condições.

António Costa contrapôs que, nos últimos quatro anos, "dos 350 mil postos de trabalho criados, 92% foram contratos definitivos, não foram precários".

Questionado se mantém a confiança no primeiro-ministro, Jerónimo de Sousa respondeu que só pode responder perante situações concretas e recordou um ditado da sua mãe: “a melhor prova do pudim é comê-lo”.

O líder do PCP considera que o partido “não” perdeu por fazer parte da “Geringonça” e foi determinante para recuperar “direitos que alguns julgavam perdidos para sempre”.

“A nossa participação no processo… os resultados falam por si. Se hoje colocamos necessidade do reforço da CDU tem a ver com o que foi alcançado e do caminho que é preciso continuar a fazer”, argumenta Jerónimo de Sousa.

O secretário-geral comunista admite que os últimos resultados eleitorais não foram os melhores, mas deixou uma garantia: “queria descansar comentadores que dizem que o PCP acabou. Não é verdade. O PCP teve intervenção de grande valor e por isso mesmo consideramos que o reforço do PCP e CDU é fundamental”.

António Costa afirmou que o Partido Socialista é o único que assume por completo os últimos quatro anos de governação, enquanto os outros parceiros de “Geringonça”, entre os quais o PCP, só o assumem em parte e assumem limitações, nomeadamente em relação aos compromissos com a Europa.

"Nós orgulhamo-nos de, ao fim de quatro anos, cumprirmos tudo com os nossos parceiros de coligação e com a União Europa", disse o líder do socialista, sublinhando que ficou provado que é possível ficar no euro e repor direitos.

Jerónimo. "A questão do secretário-geral não está" em causa

Admite ajudar a aprovar orçamentos restritivos num cenário de abrandamento económico? "É um exercício difícil, é perante questões concretas que decidimos. Se alguém pensa que vamos voltar para trás, com congelamento e corte de salários, voltar para trás em muitas matérias que têm a ver com trabalhadores e seus direitos, se isso estiver no Orçamento do Estado não terá acompanhamento do PCP", avisa Jerónimo de Sousa.

Questionado se faz parte da solução ou do problema do PCP, Jerónimo respondeu que os seus camaradas de partido acham que sim e avisa os "apressados" que não está de saída do cargo de secretário-geral.

"Isto não é uma opinião pessoal, é uma opinião refletida sobre aquilo que vejo e ouço. Em primeiro lugar, a questão do secretário-geral não está posta. Os apressados que tenham mais serenidade, porque isso não está posto. Vou fazer esta campanha com toda a disponibilidade, determinação e força para conseguir este grande objetivo de reforço da CDU. Há quem afunile a vida para as eleições. As eleições são muito importantes, especialmente estas que vão determinar muito da vida política nacional no futuro, mas reduzir a minha atividade pensando apenas em resultado das eleições, então estaria aqui a mais com certeza”, concluiu Jerónimo de Sousa.

O líder socialista não confirma se vai convidar Mário Centeno para o próximo Governo, no caso de ganhar as eleições, mas vai dizendo que os melhores jogadores não devem ficar no banco de suplentes.

"Os convites farei quando tiver legitimidade para o fazer. Não vou fazer hoje aqui a nenhum dos meus colegas. Não é preciso grandes dotes para saber que quem tem de formar uma equipa não deixa no banco os melhores jogadores", sublinha António Costa.


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