Foi esta quarta-feira que Alvin Kennard recebeu a melhor notícia dos últimos 36 anos. Numa sessão num tribunal em Jefferson, no Alabama, Estados Unidos, o juiz David Carpenter decidiu alterar a pena de prisão perpétua a que tinha sido condenado em 1983 para o tempo já cumprido. O procurador local não se opôs. Kennard, agora com 58 anos, não saiu ainda em liberdade, mas o tempo de espera será certamente pequeno face às mais de três décadas passadas atrás das grades.

A 24 de janeiro de 1983, quando tinha 22 anos, Alvin roubou 50 dólares e 75 cêntimos – calculando a inflação, equivale hoje a cerca de 120 euros – de uma padaria, num crime em que usou uma faca e em que não houve agressões. Em 1979, tinha-se declarado culpado de três crimes relacionados com um assalto a uma estação de serviço que estava vazia. Ficou com pena suspensa.

No Alabama existe uma lei relacionada com criminosos recorrentes – conhecida “three strikes law”, ou “lei das três condenações”, em tradução livre –, que implicava que, ao quarto crime, a sentença fosse prisão perpétua, sem hipótese de liberdade condicional. A lei foi entretanto alterada, mas a pena de Kennard manteve-se. O panorama apenas se alterou com a entrada em cena da advogada Carla Crowder, diretora executiva do Centro para a lei e justiça da Appleseed no Alabama, uma instituição não governamental.

“É incrivelmente injusto que centenas de pessoas no Alabama estejam a cumprir prisão perpétua, sem hipótese de liberdade condicional, por crimes sem violência e não relacionados com homicídios. O que é extraordinário sobre o Sr. Kennard é que, mesmo quando ele pensou que ia passar o resto da vida na prisão, deu a volta à sua vida. Ele está entusiasmado com esta oportunidade e manteve-se próximo da família, pelo que tem um grande apoio”, comentou Crowder, citada pelo “The Guardian”.

As lágrimas da família

Antes de ouvir do juiz a boa nova, Kennard agradeceu a oportunidade de poder expor o caso, segundo o site AL.com. “Peço desculpa pelo que fiz. Estive mal”, declarou. O recluso, que trabalhava em carpintaria, disse ao juiz que pretende de novo ganhar a vida no ramo. Apresentou-se no tribunal algemado e envergando um uniforme vermelho e branco.

A advogada destacou o “comportamento exemplar” de Kennard na prisão: há 14 anos que não recebe qualquer punição disciplinar e há 11 que é repreendido por mau comportamento. A defesa também alegou a boa reputação junto dos guardas do Centro Prisional de Donaldson.

No tribunal, a família festejou o momento há muito esperado. “Estávamos todos a chorar. Falamos disto seguramente há mais de 20 anos, sobre ele ser libertado. Ele diz que quer trabalhar, quer pagar as suas próprias despesas, e nós vamos apoiá-lo”, disse uma neta, Patricia Jones, à televisão local WBRC.

Tópicos