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Eleições? No, Matteo... Luigi di Maio "trama" Salvini e pretende formar “maioria sólida” com socialistas italianos

22 ago, 2019 - 18:16 • Redação com Lusa

Salvini rompeu a coligação com o M5S, Conte abandonou o cargo de primeiro-ministro e o líder da extrema-direita pretendia ser ele o chefe de Governo, com a realização de eleições antecipadas. O problema é que o M5S e o PD admitem coligar-se. E agora? Agora, Salvini já dá o dito por não dito… e quer ser de novo vice-primeiro-ministro, “sem rancores".

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O líder do movimento 5 Estrelas (M5S), Luigi di Maio, disse esta quinta-feira que está pronto para negociar “uma maioria sólida” no parlamento de Itália e evitar eleições antecipadas. "Nestas últimas horas, lançámos todas as conversações necessárias para encontrar uma maioria sólida ao serviço dos cidadãos", disse Di Maio à imprensa depois de ser recebido pelo Presidente italiano, Sergio Mattarella.

Sergio Mattarella concluiu hoje dois dias de consultas para determinar se há uma maioria parlamentar que permita formar um novo governo ou se convoca eleições antecipadas, três anos e meio antes da data prevista, na sequência da demissão do primeiro-ministro Giuseppe Conte.

O governo de coligação entre a Liga, de extrema-direita, de Matteo Salvini, e o Movimento 5 Estrelas, antissistema, de Luigi di Maio, foi dado como findo na semana passada por Salvini, vice-primeiro-ministro e ministro do Interior, ao fim de 14 meses de coexistência difícil.

Segundo a maioria dos analistas, Salvini planeava forçar a antecipação das eleições legislativas para aproveitar o recorde de popularidade de que goza em Itália (36%-38%), sobretudo depois de a Liga ter sido o partido mais votado nas eleições europeias de maio, em que obteve 34% dos votos, contra 17% nas legislativas de março de 2018.

No entanto, o Partido Democrático (PD), de Nicola Zingaretti, assumiu na quarta-feira a possibilidade de formar uma maioria com o M5S para evitar eleições antecipadas. Os dois partidos iniciaram já conversações, que se adivinham difíceis dadas as cinco condições prévias colocadas pelos socialistas: a "pertença leal" à União Europeia, o "pleno reconhecimento" da democracia representativa e da centralidade do parlamento, o desenvolvimento assente na sustentabilidade ambiental, uma mudança na gestão dos fluxos migratórios e uma viragem na política económica para aumentar o investimento.

Juntos, o PD e o M5S têm a maioria na Câmara dos Deputados (327 em 630).

Após a audiência de hoje com Mattarella, Nicola Zingaretti, afirmou que a ideia não é "um governo a qualquer preço", mas "um governo de mudança, uma alternativa à direita, com um programa novo e sólido e uma maioria ampla e duradoura no parlamento".

Em contrapartida, Salvini, que provocou o fim da coligação e apresentou uma moção de censura ao primeiro-ministro do governo que integra, Giuseppe Conte, afirmou aos jornalistas após a audiência com o Presidente que admite reconciliar-se com o 5 Estrelas, "sem rancores". "Se alguém dos que sempre disseram 'não' [ao M5S] agora diz que sim, então formemos uma equipa, tenhamos um objetivo, construamos, façamos coisas boas pelo país. Não guardo rancor, olho para o futuro", disse Salvini.

Mattarella permite aos partidos negociar novo governo até terça-feira

O Presidente de Itália, Sergio Mattarella, disse hoje, após consultas com os partidos, que há uma maioria parlamentar disposta a formar um novo governo, pelo que vai permitir estas negociações e convocará novamente os partidos na próxima terça-feira.

"Foi-me comunicado por parte de alguns partidos políticos que começaram negociações para formar outro governo" de maioria parlamentar, referiu Sergio Mattarella, esclarecendo que lhe foi pedido tempo para desenvolverem essas negociações.

Em conferência de imprensa, em Roma, o chefe de Estado italiano salientou ser seu dever "não evitar a vontade maioritária do parlamento", além de que, ao mesmo tempo, tem "o dever de pedir, no interesse do país, soluções rápidas".

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