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Bruxelas denuncia situação dramática a bordo do “Open Arms” e apela ao desembarque imediato

19 ago, 2019 - 13:27 • Lusa

“As condições de higiene a bordo são piores do que nunca” e os migrantes retidos “estão a infligir lesões a si próprios, enquanto perdem a noção da realidade”, denuncia o presidente do Parlamento Europeu.
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O presidente do Parlamento Europeu, David Sassoli, denunciou hoje a situação “dramática” que se vive a bordo do navio humanitário “Open Arms” e exortou as autoridades italianas a permitir o desembarque imediato dos migrantes.

Numa nota divulgada em Bruxelas, o presidente da assembleia europeia indica que o seu gabinete esteve em contacto com o capitão do navio da organização não-governamental espanhola, que descreveu as condições a bordo como quase intoleráveis.

“Os imigrantes estão retidos no navio há já praticamente 14 dias, a somente um quilómetro do porto de Lampedusa. Estão a começar a desistir e estão a infligir lesões a si próprios, enquanto perdem a noção da realidade. As condições de higiene a bordo são piores do que nunca e é necessário permitir o desembarque imediato daqueles a bordo”, afirma Sassoli.

O presidente do Parlamento Europeu apela às autoridades italianas que “compreendam a gravidade da emergência humanitária” a bordo do “Open Arms” e permitam o desembarque dos seus ocupantes no porto de Lampedusa ainda hoje.

À falta de uma solução europeia coordenada, seis Estados-membros, entre os quais Portugal, disponibilizaram-se para receber os 147 migrantes a bordo do Open Arms. Uma decisão saudada, esta segunda-feira, pela Comissão Europeia.

Na conferência de imprensa diária do executivo comunitário, em Bruxelas, a porta-voz Vanessa Mock garantiu que “houve muitos desenvolvimentos nas últimas 48 horas” relativamente ao impasse em torno dos 147 migrantes retidos a bordo do “Open Arms”, adiantando que a Comissão saúda o facto de “seis Estados-membros estarem dispostos a mostrar solidariedade e a participar na recolocação dos migrantes”.

“A Comissão Europeia esteve em contactos intensos ao longo da última semana e estamos muito gratos pela cooperação de França, Alemanha, Luxemburgo, Portugal, Roménia e Espanha”, os países que se disponibilizaram a acolher migrantes resgatados pelo navio humanitário em águas do Mediterrâneo.

A mesma porta-voz acrescentou que o executivo comunitário “está pronto a dar apoio de coordenação e operacional no terreno”, assim que tal lhe for solicitado, “e quando for encontrada uma solução para o desembarque das pessoas resgatadas no mar”, que aguardam há duas semanas ao largo da ilha italiana de Lampedusa autorização para atracar num porto seguro.

Vanessa Mock reiterou, no entanto, que situações de pessoas retidas em embarcações “durante dias ou semanas é insustentável” e insistiu que, do ponto de vista da Comissão, “são necessárias com urgências soluções previsíveis e sustentáveis” para o problema dos migrantes resgatados no Mediterrâneo, uma questão que, vincou, “não é responsabilidade de um ou alguns Estados-membros, mas da Europa como um todo”.

Na quinta-feira, o Governo português anunciou que Portugal se disponibilizou para receber até 10 dos 147 migrantes a bordo do navio “Open Arms”, num acto que o Ministério da Administração Interna (MAI) classificou como “um gesto de solidariedade humanitária e de desejo comum de fornecer soluções europeias para a questão da migração e das tragédias humanas que se verificam no Mediterrâneo”.

“Não obstante esta disponibilidade solidária sempre manifestada, o Governo português continua a defender uma solução europeia integrada, estável e permanente para responder ao desafio migratório”, reitera o MAI.

O “Open Arms” está perto da ilha italiana de Lampedusa há duas semanas a aguardar autorização para desembarcar 147 pessoas resgatadas do Mediterrâneo.

Além do “Open Arms”, há um outro navio, o “Ocean Viking”, operado pelos Médicos Sem Fronteiras e a SOS Mediterranée, que aguarda, com 356 migrantes a bordo, autorização para aportar.

Segundo a Organização Internacional das Migrações (OIM), entre 1 de janeiro e 4 de agosto de 2019 mais de 39 mil migrantes e refugiados chegaram à Europa através do Mar Mediterrâneo, cerca de 34% menos do que em igual período de 2018.

Daquele total, o maior número de pessoas chegou à Grécia (18.947), seguindo-se a Espanha (13.568), Itália (3.950), Malta (1.583) e Chipre (1.241).

No mesmo período, 840 pessoas morreram durante a travessia, segundo a organização.


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