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Rio diz que Costa estava de férias quando morreram “mais de 60 pessoas", primeiro-ministro nega

17 ago, 2019 - 22:20 • João Pedro Barros com Lusa

Gabinete de António Costa alega presença em Pedrógão Grande na manhã seguinte ao incêndio de junho de 2017, bem como a coordenação dos apoios de emergência e a preparação dos trabalhos de reconstrução.
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Novo capítulo na polémica sobre as férias de Rui Rio e de António Costa, a propósito de declarações do líder do PSD, este sábado, em que referiu que o primeiro-ministro estava em período de descanso quando morreram “mais de 60 pessoas", nos incêndios de Pedrógão Grande. O gabinete de Costa diz que a alegação do líder social-democrata é falsa.

“Em 17 de Junho de 2017, o primeiro-ministro não estava de férias e no dia 18 de manhã estava em Pedrógão reunido com os presidentes de Câmara dos concelhos mais atingidos. Os presidentes de Câmara da Sertã ou da Pampilhosa, por exemplo, podem confirmá-lo. Os deputados do PSD de Leiria também estiveram com o primeiro-ministro quando visitou o posto de comando”, pode ler-se no texto enviado ao diário.

O gabinete do primeiro-ministro esclarece ainda que “nos dias seguintes", ele coordenou os apoios de emergência e a preparação dos trabalhos de reconstrução” e esteve ainda presente no primeiro funeral das vítimas.

António Costa apenas entrou em período de férias no final do mês de junho de 2017, precisamente quando se deu o roubo das armas em Tancos. Entendeu então que não se justificava interrompê-las.

Declarações de Costa espoletaram reação de Rio

Esta sexta-feira, em declarações à comunicação social após reunião com o Presidente da República, em Belém, sobre a greve dos motoristas, António Costa referiu-se por três vezes à ausência do líder da oposição. O governante desvalorizava assim as críticas do líder do PSD à gestão da greve dos motoristas, por este se “encontrar de férias”

Rui Rio tinha falado horas antes à comunicação social, acusando o Governo de ter montado um "circo mediático" para tirar proveitos eleitorais. Na quarta-feira, tinha sido o vice-presidente David Justino a reagir por parte do PSD, assumindo então que Rui Rio estava de férias.

"As pessoas ausentes não perceberam o dramatismo da situação. Tivemos um aumento de mais de 100% no consumo em relação ao período normal. Todos estávamos preocupados em saber como iríamos suprir as necessidades de combustível. Os agricultores estavam preocupados se seriam capazes de fazer as colheitas e escoar a produção. A preocupação real das pessoas era saber se os supermercados iriam ter as prateleiras vazias. É fácil, depois de tudo correr no melhor do possível, dizer que não necessário fazer o que fizemos. Mas se não tivéssemos adotado estas medidas, o país tinha mesmo parado", sublinhou António Costa.

Rui Rio respondeu este sábado, em Viseu: "O que está em causa neste caso era eu entrar ou não num circo mediático durante quatro ou cinco dias. Mas o que esteve em causa quando ele pura e simplesmente não interrompeu as férias foi a morte de mais de 60 pessoas", frisou, considerando que aquilo que António Costa disse "foi de infelicidade enorme".

Em declarações à comunicação social, Rio reforçou ainda o discurso da véspera, pedindo ao Governo que deixe "de ser o elefante na sala que parte tudo" e que passe a ter "habilidade e inteligência" para ajudar a resolver a greve dos motoristas.

Agora, acrescentou, assumindo-se como mediador entre a entidade patronal e os motoristas, "caminhou para uma posição diferente" e "melhor, em que as partes não dialogam diretamente", mas fazem-no através do Governo.


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