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​Sindicato denuncia troca de combustível por militares. Entidade do setor energético desconhece

13 ago, 2019 - 22:44 • Lusa

Pedro Pardal Henriques refere a existência de contaminações em postos de abastecimento em Sesimbra, Peniche e Nazaré devido à troca de combustível em tanques.

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Registaram-se três situações de troca de combustível em descargas feitas por militares das Forças Armadas e da GNR, disse esta terça-feira o porta-voz do Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP). A Entidade do setor energético desconhece casos de troca de combustível.

Pedro Pardal Henriques referiu, à agência Lusa, a existência de contaminações em postos de abastecimento em Sesimbra, Peniche e Nazaré devido à troca de combustível em tanques.

"Acho que o Estado devia ver os prejuízos que esta situação está a ter. O que vai acontecer nas situações que relatei é a necessidade de se esvaziarem os tanques", afirmou Pardal Henriques.

Em jeito de balanço do segundo dia de greve, o porta-voz do SNMMP acusou as empresas e o Governo de estarem a ameaçar os motoristas para que estes cumpram mais do que oito horas de trabalho.

"Tivemos conhecimento do que a polícia foi a casa de um motorista, que estava de baixa, para o deter caso ele não aceitasse ir trabalhar. Só quando ele mostrou a baixa e foi validada por um procurador é que o deixaram em paz", contou o responsável do SNMMP.

Questionado sobre o facto de 14 trabalhadores não terem cumprido a requisição civil decretada pelo Governo, Pardal Henriques respondeu que o sindicato não possui qualquer registo das infrações.

Entidade do setor energético desconhece casos de troca de combustível

A Entidade Nacional para o Setor Energético (ENSE) não tem conhecimento de casos de troca de combustível alegadamente efetuada por elementos das Forças Armadas ou de segurança, disse hoje à agência Lusa fonte do Ministério do Ambiente.

"A ENSE não tem conhecimento de qualquer caso anómalo de troca de combustível alegadamente efetuada na descarga nos postos de abastecimento por parte das Forças Armadas ou de segurança", afirmou a fonte do Ministério do Ambiente, esclarecendo que estas autoridades são apenas responsáveis pelo transporte do combustível.

A fonte do Ministério do Ambiente e da Transição Energética reiterou que "as Forças Armadas e de segurança são apenas responsáveis pelo transporte do combustível" e "são apenas condutores de veículos pesados e não têm qualquer contacto com o combustível".

"Nos centros de onde saem o combustível são as equipas desses centros que abastecem os veículos pesados. Nos postos para onde esse combustível se dirige a descarga é feita por pessoas responsáveis por essas tarefas nesses postos", esclareceu, considerando que a afirmação do sindicato "não faz qualquer sentido", porque os militares que conduzem aqueles veículos pesados "não têm qualquer contacto com o combustível".

Os motoristas de matérias perigosas e de mercadorias cumpriram esta terça-feira o segundo dia de uma greve por tempo indeterminado, que levou o Governo a decretar a requisição civil, alegando incumprimento dos serviços mínimos.

Portugal está, desde sábado e até às 23h59 de 21 de agosto, em situação de crise energética, decretada pelo Governo devido a esta paralisação, o que permitiu a constituição de uma Rede de Emergência de Postos de Abastecimento (REPA), com 54 postos prioritários e 320 de acesso público.

A greve foi convocada pelo Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas e pelo Sindicato Independente dos Motoristas de Mercadorias, com o objetivo de reivindicar junto da Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (Antram) o cumprimento do acordo assinado em maio, que prevê uma progressão salarial.

[notícia atualizada às 00h59]

Comentários
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  • Celso Duarte
    14 ago, 2019 06:51
    Nunca concordei com as greves que se fazem em Portugal: são sempre as classes profissionais mais abastadas da sociedade, com melhores salários e melhores condições (na saúde, na reforma, nas justificações de faltas, com 35 horas semanais, com isenções de horário,…) a reivindicar aumentos salariais e descongelamentos de carreiras. Classes que consomem 300 milhões ao erário público só para estarem representadas em sindicatos (isto é, a fazer nenhum – como o Sr. Prof Mário Nogueira - professores, enfermeiros, médicos, polícias, magistrados, juízes, etc.) Imaginem os patrões pagarem aos trabalhadores para estarem a trabalhar nos sindicatos! Devia ser para rir. Eu estou com os motoristas nesta greve, porque: 1 - Bastou uma classe pouco alfabetizada, sem regalias e mal paga, fazer greve para toda a nação notar; 2 – São trabalhadores do setor privado, coisa rara no panorama das greves laborais em Portugal – não me lembro de greves de trabalhadores do setor privado; 3 – São mal pagos - sim são muito mal pagos. Quem achar o contrário, então, que experimente pegar num camião e conduzir milhares de km até ao destino, sem contar com as exigências próprias da profissão de motorista de pesados – 600€ de base para estes profissionais é um insulto! 4 – Temos classes profissionais em Portugal a quem lhes foi atribuído um aumento de 700€ mensais e outras que reivindicam mil milhões de euros para repor o tempo perdido do congelamento das carreiras. Com estes motoristas não conseguem passar dos miseráveis 600€ de base para 900€ - é ridículo; Para terminar este longo comentário, tenho a dizer que estou surpreendido com os políticos: sempre vi os comunistas, bloquistas e os socialistas, os partidos de esquerda a apoiar os trabalhadores nas suas lutas – onde estão os Partidos de Esquerda, o que aconteceu??? Será que se transformaram? Estão do lado do patronato – que cenário estranho na política em Portugal!!!!!