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Padre mexicano raptado por proteger migrantes cubanos

13 ago, 2019 - 12:09 • Filipe d'Avillez

O ano passado 10 líderes religiosos foram assassinados no México. Há uma década que o país é considerado um dos mais perigosos para se ser padre.
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Um padre mexicano foi raptado e permanece desaparecido há dez dias depois de ter tentado proteger imigrantes cubanos na cidade de Nuevo Laredo, no leste do país.

O padre Aarón Méndez Ruiz é o diretor de um abrigo para migrantes chamado Casa del Migrante AMAR, naquela cidade do estado de Tamaulipas. Segundo um comunicado enviado esta terça-feira para a Renascença, da Christian Solidarity Worldwide (CSW), a casa tem 100 camas mas acolhe frequentemente até 450 pessoas.

Muitos desses migrantes são de outros países da América Latina, incluindo de Cuba, que aguardam no México pelo processamento dos seus pedidos de asilo nos Estados Unidos.

Segundo a CSW os migrantes cubanos têm-se tornado um alvo preferido de grupos de crime organizado no México, uma vez que os seus familiares tendem a pagar rapidamente os resgates exigidos para a sua libertação.

Foi durante um ataque à Casa del Migrante que o padre Aarón terá impedido que cubanos fossem levados, acabando ele mesmo por ser raptado. Desde que foi levado, há 10 dias, não houve qualquer pedido de resgate ou comunicação por parte dos criminosos.

A CSW recorda, no seu comunicado, que há dez anos consecutivos que o México é um dos países no mundo mais perigosos para os sacerdotes, sobretudo por causa da atuação de grupos de crime organizado que agem com quase total impunidade. O ano passado dez líderes religiosos foram assassinados no México. Os padres e pastores protestantes são frequentemente vistos como ameaça ao poder dos grupos criminosos.

O diretor-executivo da CSW, Mervyn Thomas pede ao Governo mexicano que garanta a segurança das populações civis nas zonas mais atingidas pelo crime organizado e que desenvolva estratégias para apoiar os líderes religiosos e da sociedade civil que vivem sob ameaça.

“Pedimos à comunidade internacional que aborde estes assuntos com o Governo mexicano e para reconhecer o papel desempenhado por muitos líderes religiosos, não só como líderes das suas igrejas mas também enquanto vozes para a paz, justiça e integridade e defensores dos direitos humanos”, diz Thomas.


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