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Marina de Vilamoura pode ficar sem combustível já esta terça devido à greve dos motoristas

13 ago, 2019 - 13:54 • Lusa

Cada embarcação só pode abastecer 200 litros. Diretora da marina espera que a greve “passe depressa”.

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A marina de Vilamoura, no concelho de Loulé, pode ficar já esta terça-feira sem combustível para fornecer às embarcações que acolhe, devido à greve de motoristas de matérias perigosas, disse a diretora da infraestrutura náutica algarvia.

A diretora da marina de Vilamoura, Isolete Correia, lamentou que a greve dos motoristas de transporte de matérias perigosas, que se iniciou às 00h00 de segunda-feira por tempo indeterminado, esteja a deixar a região do Algarve em dificuldades no mês mais forte do turismo e a obrigar a limitar a 200 litros o combustível que as embarcações podem abastecer.

"Estamos à espera que nos venham abastecer. Ainda não esgotou, mas já estamos a racionar e está próximo de acabar", afirmou Isolete Correia, frisando que o "limite de 200 litros por embarcação" está em vigor "desde segunda-feira", quando se iniciou a greve.

A mesma fonte sublinhou que 200 litros de gasóleo para uma embarcação é uma quantidade que "não dá para nada" e advertiu que não se sabe ainda quando vai poder ser feito o reabastecimento dos tanques de armazenamento de combustível da marina.

"Não tenho indicação quando vai chegar. Hoje liguei e não me sabem dizer quando vai chegar", disse Isolete Correia, estimando que "no final do dia de hoje possa deixar de haver combustível" para vender às embarcações.

A diretora da marina de Vilamoura disse ainda esperar que esta situação de greve e de dificuldade no abastecimento "passe depressa", porque a região está "em época alta" de turismo e o prolongar da greve, "para o país, é de facto lamentável, nesta altura do ano".

Fonte da marina de Portimão também reconheceu à Lusa a existência de dificuldades no abastecimento e adiantou que já "só há gasóleo" nos tanques desta infraestrutura marítima.

À semelhança do que acontece com a marina de Vilamoura, também em Portimão "ainda não se sabe quando poderá vir a ser feito o abastecimento de combustíveis".

Questionada sobre a existência ou não de limitações na quantidade de combustível que está a ser fornecido às embarcações, a mesma fonte respondeu que "há um limite de 500 litros" para cada uma.

Na zona da marina de Portimão operam também embarcações marítimo-turísticas que fazem passeios pela costa algarvia, algumas das quais utilizam gasolina.

Essas "já foram afetadas", afirmou a mesma fonte.

A marina de Vilamoura tem 850 postos de amarração, enquanto a de Portimão conta com 620 lugares, e são as duas principais infraestruturas de acolhimento a embarcações marítimo-turísticas no Algarve, região que tem sido das mais afetadas pelo desabastecimento de combustíveis devido à greve dos motoristas de transporte de matérias perigosas.

A greve que começou na segunda-feira, por tempo indeterminado, foi convocada pelo Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP) e pelo Sindicato Independente dos Motoristas de Mercadorias (SIMM), com o objetivo de reivindicar junto da Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (ANTRAM) o cumprimento do acordo assinado em maio, que prevê uma progressão salarial.

Ao fim do primeiro dia de greve de motoristas, o Governo decretou a requisição civil, alegando o incumprimento dos serviços mínimos, prevendo a sua aplicação "de forma gradual e faseada" para assegurar o abastecimento da Rede de Emergência de Portos de Abastecimento (REPA), aeroportos, postos servidos pela refinaria de Sines e unidades autónomas de gás natural.

Outra portaria estabelece que os militares das Forças Armadas podem substituir "parcial ou totalmente" os motoristas em greve e a sua intervenção abrange operações de carga e descarga de veículos-cisterna de combustíveis líquidos, GPL e gás natural.

Consulte aqui a lista da Rede de Emergência de Postos de Abastecimento

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  • Cidadao
    13 ago, 2019 Lisboa 14:11
    Não sabiam que ia haver greve e que tinham de se preparar para ela? Que foi feito da preparação nos dias que antecederam a greve? O planeamento foi feito com os pés, ou pura e simplesmente não foi feito?