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Greve dos motoristas. Associação da GNR acusa Costa de "desrespeito"

12 ago, 2019 - 13:38 • Agência Lusa

Associação dos Profissionais da Guarda volta a manifestar-se contra a ideia de profissionais da GNR conduzirem veículos pesados de transporte de matérias perigosas.
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A Associação dos Profissionais da Guarda acusa o primeiro-ministro de desrespeitar a dignidade dos profissionais que servem a GNR e rejeita que se instrumentalizem estes trabalhadores para reduzir o impacto da greve dos motoristas.

“Considera-se lamentável que o senhor primeiro-ministro tenha demonstrado que claramente desrespeita a dignidade profissional daqueles que servem a Guarda”, indicou a Associação em comunicado esta segunda-feira, voltando a manifestar-se contra a ideia de recorrer a profissionais da GNR para conduzir veículos pesados de transporte de matérias perigosas.

A Associação dos Profissionais da Guarda (APG/GNR) contesta declarações do chefe de Governo, que indicava que seriam os comandos da PSP e da GNR a representar os profissionais.

Para a APG/GNR, António Costa posicionou-se como se as estruturas representativas dos profissionais não existissem, entendendo que a postura do primeiro-ministro “contraria elementares princípios da democracia”.

A Associação refere que os profissionais da GNR sentem “descontentamento e indignação” perante o cumprimento de “horários desumanos” e por serem “forçados a executar funções completamente estranhas à missão de segurança pública”.

Os representantes dos profissionais da GNR criticam também a posição do Comando da GNR por indicar que “existem todas as condições para dar resposta”, apesar de saber que isso “resultará em maior carga horária para os profissionais” e em “situações de risco objetivas”.

No domingo, também a Associação Sindical dos Profissionais de Polícia (ASPP-PSP) tinha acusado o primeiro-ministro de manter “postura de arrogância política” a propósito da utilização de polícias e militares na condução de veículos pesados de transporte de matérias perigosas.

A associação da PSP sublinhou que “nenhum sindicalista quer substituir-se ao Diretor Nacional da PSP, mas não deixará de falar, por muito que custe ouvir, sobre os problemas e atropelos aos direitos dos polícias, porque dessa matéria, ninguém quer falar”.

Questionado pelos jornalistas, no final de uma reunião com o Gabinete Coordenador de Segurança, do Sistema de Segurança Interna, sobre as queixas de associações de profissionais da polícia e da GNR quanto à chamada destes profissionais para conduzir camiões de matérias perigosas sem estarem aptos ou formados para o fazer, António Costa respondeu que “quem fala em nome das forças de segurança são os seus comandos”.

“Quem fala em nome das forças de segurança são os seus comandos e o que eu ouvi do senhor comandante da Guarda Nacional Republicana e do senhor diretor nacional da PSP é que as forças de segurança estão plenamente aptas a desempenharem as missões que lhes estão atribuídas designadamente a de assegurar o transporte através da condução no caso de necessidade. É a mesma mensagem que nos é transmitido por parte das forças armadas”, disse António Costa.

Hoje, depois de assistir ao ‘briefing’ operacional da Proteção Civil, o primeiro-ministro indicou que ainda não foi necessário recorrer a nenhum elemento das forças de segurança para conduzir veículos, frisando que os motoristas estão a cumprir os serviços mínimos decretados.

Os motoristas cumprem hoje o primeiro dia de uma greve marcada por tempo indeterminado e com o objetivo de reivindicar junto da associação patronal Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (ANTRAM) o cumprimento do acordo assinado em maio, que prevê uma progressão salarial.

A greve foi convocada pelo Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP) e pelo Sindicato Independente dos Motoristas de Mercadorias (SIMM), tendo-se também associado à paralisação o Sindicato dos Trabalhadores de Transportes Rodoviários e Urbanos do Norte (STRUN).

O Governo decretou serviços mínimos entre 50% e 100% e declarou crise energética, que implica “medidas excecionais” para minimizar os efeitos da paralisação e garantir o abastecimento de serviços essenciais como forças de segurança e emergência médica.


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  • José Joaquim Cruz Pinto
    12 ago, 2019 Ílhavo 17:18
    E agora, depois das últimas ordens dadas pelo Governo, só falta os dirigentes das Associações Sindicais dos Profissionais das Forças de Segurança associarem-se ao Pardal e recomendarem aos colegas que desobedeçam e também façam greve!
  • Cidadao
    12 ago, 2019 Lisboa 17:18
    A Associação tem direito à sua opinião, mas quanto ao cumprimento de ordens, não tem voto na matéria, com ou sem "descontentamento e indignação". Onde é que íamos parar se nas forças policiais e já agora do Exército e Forças Armadas, fossem os respetivos Sindicatos a comandar, em vez dos oficiais Superiores e/ou governo?
  • José Joaquim Cruz Pinto
    12 ago, 2019 Ílhavo 15:18
    Este País está quase a transformar-se numa ANEDOTA. Faltará pouco para que também nas Forças Armadas sejam as Associações Sindicais a tomar o lugar dos Comandos e Estados-Maiores - e por que não mesmo logo os do Governo e do Presidente da República? Depois (e por que não agora, já ?), serão os Juízes a perguntar às mesmas Associações se podem julgar e condenar os polícias que vierem a abusar da autoridade sovando um cidadão com ou sem justificação.