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ONU aconselha dieta vegetariana para combater alterações climáticas

08 ago, 2019 - 11:18 • Marta Grosso com Lusa

O solo está sob pressão humana, mas “é parte da solução”. É o protagonista do último relatório do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas, que relaciona as escolhas alimentares com as vulnerabilidades ambientais.

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Há tipos de alimentação que favorecem as alterações climáticas e outros que podem ajudar a reduzir as vulnerabilidades de tais mudanças, refere o relatório do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), um organismo da ONU.

“Algumas escolhas dietéticas exigem mais terra e água e causam mais emissões de gases que prendem o calor”, afirma Debra Roberts, co-presidente do grupo de trabalho II do IPCC.

“Dietas equilibradas à base de plantas – como grãos, leguminosas, frutas e vegetais – e alimentos de origem animal produzidos de forma sustentável em baixos sistemas de emissão de gases de efeito estufa apresentam grandes oportunidades para adaptação e limitação da mudança climática”, destaca.

De acordo com o relatório divulgado nesta quinta-feira, “uma ação coordenada para lidar com a mudança climática pode simultaneamente melhorar o solo, a segurança alimentar e a nutrição, ajudando também a acabar com a fome”.

O Solo é Parte da Solução para as Alterações Climáticas” é o título do relatório. “Mas não consegue fazer tudo sozinho”, acrescenta o Painel.

As alterações climáticas “estão a afetar todos os quatro pilares da segurança alimentar: disponibilidade (produção e rendimento), acesso (preços e capacidade de obtenção de alimentos), utilização (nutrição e culinária) e estabilidade (interrupções na disponibilidade)”, indica o documento.

Nesse sentido, a “segurança alimentar será cada vez mais afetada através de quedas nos rendimentos, especialmente nos trópicos” e com “impactos mais drásticos nos países de baixo rendimento de África, Ásia, América Latina e Caribe”, avança Priyadarshi Shukla, co-presidente do grupo III do IPCC.

Segundo o relatório, “cerca de um terço dos alimentos produzidos é perdido ou desperdiçado”. As causas diferem consoante as regiões e países desenvolvidos ou em desenvolvimento.

“Reduzir essa perda e desperdício reduziria as emissões de gases de efeito estufa e melhoraria a segurança alimentar”, salienta o documento, acrescentando que, enquanto se desperdiça comida, 820 milhões de pessoas passam fome em todo o mundo.

Terras degradadas e temperatura a subir

Um quarto das terras usadas para atividades humanas está degradado, afirmam os especialistas da ONU. A expansão da agricultura e da silvicultura é o que mais contribui para o aumento das emissões de C02, a perda de ecossistemas e a redução da biodiversidade.

Insistem também na ameaça colocada pela desertificação e a consequente necessidade de lutar contra o fenómeno.

Este relatório – o segundo dos três pedidos ao IPCC após a assinatura do Acordo de Paris, que, em 2016, estabeleceu como meta manter o aquecimento global abaixo dos 2ºC – servirá de base às futuras negociações dos estados signatários e deverá influenciar as discussões na cimeira anual sobre o clima, agendada para dezembro em Santiago do Chile.

Os especialistas concluíram que o aquecimento das superfícies emergentes está a aumentar a uma maior velocidade do que o aquecimento global, tendo progredido 1,53ºC e o documento prevê "riscos importantes" de falta de água nas zonas áridas, incêndios e instabilidade alimentar com um aquecimento global de 1,5ºC, passando a "muito importantes" se o aquecimento for de 2°C.

O texto contém recomendações para que os governos promovam políticas de mudança do uso florestal e agrícola dos solos, tendo em conta que as florestas absorvem cerca de um terço das emissões de dióxido de carbono (CO2).

Assim, é proposto que se retome as práticas agrícolas, silvícolas e de produção de gado das populações indígenas, uma vez que, segundo o documento, a "sua experiência pode contribuir para os desafios que representam as alterações climáticas, a segurança alimentar, a conservação da biodiversidade e o combate à desertificação".

Nesse sentido, o painel de especialistas apela para "ações de curto prazo" contra a degradação dos solos, o desperdício alimentar e as emissões de gases com efeitos de estufa no setor agrícola.

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  • Tiago Martins
    13 ago, 2019 Maceira LRA 18:22
    A espécie humana não é biologicamente omnívora. Esta classificação surge por via das práticas da nossa espécie ao longo da história, ao ter sempre incluindo animais na alimentação. Biologicamente, o ser humano não é carnívoro, nem omnivoro ou herbivoro, mas sim frutívoro. Basta pesquisar para verificar tal fato.
  • Manuel Almeida
    12 ago, 2019 09:21
    A espécie humana é omnívora. Do ponto de vista biológico, anatómico e fisiológico a espécie humana não está preparada para ser herbívora nem granívora: não tem "papo"; não tem moela; não tem divertículos gástricos (rúmen, omaso, abomaso), não tem um ceco muito volumoso. Portanto a espécie humana, tal como a conhecemos atualmente, extinguir-se-á se quiser ter outra anatomia ou outra fisiologia.