Opinião de Francisco Sarsfield Cabral
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​O dilema polaco

08 ago, 2019 • Opinião de Francisco Sarsfield Cabral


A Polónia segue desde 2015 uma política hostil à entrada de migrantes. Mas, agora, o crescimento económico polaco enfrenta uma ameaça: falta de mão-de-obra.

O governo da Polónia é um dos países da antiga órbita soviética que recusam receber refugiados e imigrantes, sobretudo quando sejam oriundos de países islâmicos.

O caso polaco até apresenta algumas atenuantes. A Polónia tem uma atribulada história; na II guerra mundial foi dividida entre a Alemanha nazi e a Rússia comunista. Depois, fez parte do império soviético. O nacionalismo polaco foi muito apoiado pelo catolicismo, que é essencial para a identidade da Polónia e mostrou-se determinante na resistência ao comunismo soviético. Daí o receio de outras culturas e outras religiões, como o islamismo, que poderiam pôr em causa a homogeneidade cultural e religiosa do país. O governo no poder desde 2015 segue uma política hostil a imigrantes.

Quando a Polónia se livrou do comunismo soviético, há trinta anos, cerca de 1,7 milhões de polacos emigraram nos anos seguintes para o Reino Unido, Holanda, Alemanha, etc. Aí conseguiam melhores salários do que na sua pátria.

De então para cá, a economia polaca cresceu a ritmo intenso. O desemprego na Polónia situa-se a 5,3% da população ativa. Mas o crescimento económico polaco tem um obstáculo pela frente: falta de mão-de-obra. Há cerca de 140 mil postos de trabalho não ocupados na Polónia; calcula-se que atingirão 1 milhão em 2030, se até lá não mudar a política de imigração. Nos últimos anos, registou-se ali uma certa abertura a receber ucranianos. Mas estes preferem, agora, outros destinos, como a Alemanha.

Em setembro passado o vice-ministro polaco para o desenvolvimento reconheceu publicamente que a Polónia necessita de imigrantes para manter o seu crescimento económico. O vice-ministro foi demitido.

Empresários polacos têm tentado recrutar trabalhadores asiáticos. Mas os obstáculos legais e burocráticos à entrada desses trabalhadores (há nepaleses há mais de um ano à espera de documentos) inviabilizam, na prática, tal hipótese. Até porque muitos possíveis candidatos escolhem países de acolhimento onde os obstáculos e as demoras são menores.

A aposta do governo de Varsóvia é convencer polacos emigrados a regressarem ao país. Mas não se augura grande sucesso a tal solução.

Portugal, que também tem hoje falta de mão-de-obra, tem tentado estimular emigrantes portugueses que trabalham no estrangeiro a voltarem. Até hoje, pelo menos, com escassos resultados. Há uma exceção, porém: muitos portugueses que trabalhavam na Suíça decidiram regressar à pátria. Só que tal decisão teve mais a ver com a situação no mercado de trabalho suíço do que com medidas portuguesas de atração.

O governo da Polónia é um dos países da antiga órbita soviética que recusam receber refugiados e imigrantes, sobretudo quando sejam oriundos de países islâmicos.

O caso polaco até apresenta algumas atenuantes. A Polónia tem uma atribulada história; na II guerra mundial foi dividida entre a Alemanha nazi e a Rússia comunista. Depois, fez parte do império soviético. O nacionalismo polaco foi muito apoiado pelo catolicismo, que é essencial para a identidade da Polónia e mostrou-se determinante na resistência ao comunismo soviético. Daí o receio de outras culturas e outras religiões, como o islamismo, que poderiam pôr em causa a homogeneidade cultural e religiosa do país. O governo no poder desde 2015 segue uma política hostil a imigrantes.

Quando a Polónia se livrou do comunismo soviético, há trinta anos, cerca de 1,7 milhões de polacos emigraram nos anos seguintes para o Reino Unido, Holanda, Alemanha, etc. Aí conseguiam melhores salários do que na sua pátria.

De então para cá, a economia polaca cresceu a ritmo intenso. O desemprego na Polónia situa-se a 5,3% da população ativa. Mas o crescimento económico polaco tem um obstáculo pela frente: falta de mão-de-obra. Há cerca de 140 mil postos de trabalho não ocupados na Polónia; calcula-se que atingirão 1 milhão em 2030, se até lá não mudar a política de imigração. Nos últimos anos, registou-se ali uma certa abertura a receber ucranianos. Mas estes preferem, agora, outros destinos, como a Alemanha.

Em setembro passado o vice-ministro polaco para o desenvolvimento reconheceu publicamente que a Polónia necessita de imigrantes para manter o seu crescimento económico. O vice-ministro foi demitido.

Empresários polacos têm tentado recrutar trabalhadores asiáticos. Mas os obstáculos legais e burocráticos à entrada desses trabalhadores (há nepaleses há mais de um ano à espera de documentos) inviabilizam, na prática, tal hipótese. Até porque muitos possíveis candidatos escolhem países de acolhimento onde os obstáculos e as demoras são menores.

A aposta do governo de Varsóvia é convencer polacos emigrados a regressarem ao país. Mas não se augura grande sucesso a tal solução.

Portugal, que também tem hoje falta de mão-de-obra, tem tentado estimular emigrantes portugueses que trabalham no estrangeiro a voltarem. Até hoje, pelo menos, com escassos resultados. Há uma exceção, porém: muitos portugueses que trabalhavam na Suíça decidiram regressar à pátria. Só que tal decisão teve mais a ver com a situação no mercado de trabalho suíço do que com medidas portuguesas de atração.

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  • HC
    13 ago, 2019 Oeiras 06:55
    O texto deste artigo está repetido. Podem corrigir? Obrigado pelos conteúdos sempre interessantes do Dr F S Cabral.