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Greve dos camionistas. UGT teme "consequências irreparáveis" e apela ao diálogo

01 ago, 2019 - 21:49

Secretário-geral Carlos Silva defende que o Governo, em vez apelar aos portugueses para atestarem o depósito, "valeria mais a pena investir 48 horas seguidas num processo negocial".

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O secretário-geral da UGT considera que a greve dos motoristas, marcada para dia 12, resultará em "consequências irreparáveis" para o país e apelou ao Governo para intervir com vista a um acordo entre sindicatos e patrões.

"Há uma coisa de que eu tenho a certeza e o país também tem a certeza: desta guerra haverá consequências irreparáveis para a economia portuguesa, mas sobretudo para os portugueses", disse Carlos Silva aos jornalistas no final de uma audiência na Presidência da República, em Belém, Lisboa.

A greve dos motoristas de matérias perigosas e de mercadorias foi um dos temas abordados no encontro realizado em Belém a pedido da central sindical, com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, disse Carlos Silva.

Segundo o líder sindical, o Governo deverá intervir no conflito entre os sindicatos dos motoristas e a Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (ANTRAM), tal como já o fez anteriormente, para que as duas partes voltem às negociações e cheguem a um entendimento.

"Apelamos à ANTRAM, aos sindicatos e ao Governo para que tentem uma última via" para um acordo, sublinhou Carlos Silva.

"Se é verdade que o senhor ministro [Pedro Nuno Santos] recomendou que os portugueses atestem o depósito antes do dia 12, eu acho que valeria mais a pena investir 48 horas seguidas eventualmente num processo negocial", reforçou o líder da UGT.

"O prejuízo [da greve] é incalculável para milhões de portugueses que estão no nosso país, sobretudo para a classe emigrante que nos visita na altura do Verão", defendeu Carlos Silva.

Porém, o secretário-geral da UGT disse estar solidário "com a luta dos trabalhadores", defendendo que também cabe à ANTRAM e não apenas aos sindicatos travar a greve.

"Para dançar o tango são precisos dois", disse Carlos Silva.

O líder da central sindical considerou ainda "um pouco abusivo o facto de falar-se da lei da greve como uma ameaça aos sindicatos" sempre que há "litigâncias e conflitos" entre estruturas sindicais e patrões.

"A lei da greve está consagrada na Constituição e devidamente regulamentada", defendeu.

A greve convocada pelo Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP) e pelo Sindicato Independente dos Motoristas de Mercadorias (SIMM), que começa em 12 de agosto, por tempo indeterminado, ameaça o abastecimento de combustíveis e de outras mercadorias.

O Governo terá que fixar os serviços mínimos para a greve, depois das propostas dos sindicatos e da Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (ANTRAM) terem divergido entre os 25% e os 70%, bem como sobre se incluem trabalho suplementar e operações de cargas e descargas.

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