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Entrevista Bola Branca

​Rui Silva, a muralha lusa do Granada. "Passei por momentos complicados"

01 ago, 2019 - 12:45 • José Pedro Pinto

Foi o guardião menos batido da Segunda Liga de Espanha no ano em que o Granada selou o regresso ao convívio com os "grandes". Rui Silva, de 25 anos, define o segredo para a distinção como melhor da sua posição com o trabalho do coletivo e confessa que continua à espera de uma chamada de Fernando Santos.

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27 golos em 40 jogos. Nenhum adversário conseguiu fazê-lo encaixar mais do que um golo por partida. Por isso e por muito mais, Rui Silva foi eleito o melhor guarda-redes da Segunda Liga de Espanha, na última época, ao serviço do Granada, ajudando a equipa a regressar à La Liga.

Mas que não se julgue que o caminho foi fácil. Por isso, há que saborear tão honrada distinção.

"É um prémio muito importante para a minha carreira. Estive um ano e meio sem jogar. Passei por momentos complicados, consegui estar a um bom nível e subimos de divisão. O prémio de melhor guarda-redes foi muito gratificante", começa por afirmar, em entrevista a Bola Branca, não se atrevendo a centrar o segredo para tão regular campanha somente na sua figura.

"O segredo foi o trabalho coletivo. Tínhamos uma excelente equipa, com muita conexão entre todos. A chave estava no trabalho diário e no empenho máximo em cada jogo. As coisas foram acontecendo naturalmente. Para mim, foi bom, porque o guarda-redes menos batido fica sempre com maior visibilidade. Mas o trabalho foi de todos", assume.

Ao nível de Messi e Oblak

O minhoto, de 25 anos, que em Portugal se notabilizou ao serviço do Nacional da Madeira, dando posteriormente o salto para Granada, foi um dos destaques dos campeonatos profissionais do país vizinho. Está ao nível - medidas as distâncias - de Lionel Messi, melhor jogador da La Liga e do "Zamora" de 2018/19, Jan Oblak.

"É uma das melhores ligas do mundo e estar ao lado dos melhores é muito gratificante. Mas defrontá-los vai ser um privilégio. Vou estar num grande palco e as atenções serão redobradas", confessa, com expetativa mas igualmente com uma dose de responsabilidade acrescida quanto às metas do clube do Sul de Espanha para a nova época: a manutenção, o mais cedo possível mas não sem personalidade ou atrevimento.

"Sabemos que vai ser uma temporada muito complicada. É uma liga muito competitiva e uma equipa que sobe da Segunda Liga tem maior dificuldade. Teremos de encarar cada jogo como uma final e jogar para ganhar. Essa terá de ser a nossa mentalidade", promete.

E quando João Félix lhe aparecer pela frente? "É como se for o Messi, é para defender"

Na La Liga, Rui Silva terá um duelo de compatriotas com João Félix, do Atlético de Madrid. O guardião do Granada anuncia que já sabe o que vai fazer quando o "menino 120 milhões de euros" lhe aparecer pela frente. E não vai ser diferente da abordagem ao astro do campeonato espanhol: Messi.

"Quando o João Félix me aparecer pela frente? É como se for o Messi [risos]. Vou tentar defender e evitar que ele marque", antecipa, ainda em período de pré-temporada para a equipa do Sul de Espanha.

Muito se tem discutido sobre o elevado investimento "colchonero" no avançado de 19 anos que se transferiu do Benfica. João Félix pode ser a contratação mais cara do atual defeso mas Rui Silva acredita que o internacional português vai rapidamente dissipar todas as dúvidas sobre a sua qualidade.

"É um excelente jogador. No Benfica, deu mostras da sua qualidade e foi uma boa aposta do Atlético de Madrid. Sabemos como está o mercado mas tem muito futuro e uma enorme margem progressão. Foi um negócio muito bem conseguido pelo Atlético de Madrid", projeta.

Seleção é "sonho" mas não obsessão

Natural da Maia, Rui Silva foi internacional por Portugal nos escalões de Sub-19 - esteve no Europeu de 2013 - e Sub-20 - no Torneio de Toulon. O guarda-redes admite que o segundo escalão do futebol espanhol subtraiu-o do radar de Fernando Santos para a Seleção Nacional "AA" mas, agora, no palco da La Liga, o "sonho" pode tornar-se realidade. Uma coisa é certa: o tema não lhe tira o sono.

"É difícil chegar à Seleção Nacional. Fiz uma excelente época mas estava numa Segunda Liga. Tenho esse sonho. É claro que, na La Liga, com maior visibilidade, chegar à Seleção era bom para mim. Mas não vivo muito a pensar nisso", completa.

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