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Incêndios

Kits antifogo distribuídos pela Proteção Civil têm materiais inflamáveis

26 jul, 2019 - 07:30 • Redação

São compostos por colete, gola antifumo, apito, lanterna, bússola, garrafa de água, barrita energética e uma mala de primeiros socorros. Proteção Civil pagou 328 mil euros pelos kits.
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Os kits de emergência distribuídos pela Proteção Civil às aldeias para serem usados em caso de incêndio contêm materiais inflamáveis.

Ao que conta o “Jornal de Notícias”, as golas de proteção contra fumos são ineficazes e libertam um cheiro intenso a cola. Já os coletes refletores são compostos por materiais combustíveis.

De acordo com o diário, as golas, fabricadas em poliéster, "não têm a eficácia que deveriam ter: evitar inalações de fumos através de um efeito de filtro".

A empresa que forneceu os kits pensava que a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) queria apenas material publicitário e não para usar em situações reais de fogo e que esta entidade nunca referiu que os equipamentos "seriam usados em cenários de fogo".

"Se assim fosse, as golas seriam de outro material e com tratamento para suportar esses cenários [de fogo]. Juro que achei que isto seria usado em ações de merchandising', garantiu ao jornal Ricardo Peixoto, representante da Foxtrot Aventura.

A ANEPC reagiu dizendo que o material não passa de um "estímulo à implementação local dos programas" e que nem são um "equipamento de proteção individual".

Contudo, num comunicado do Governo – datado de 2018 – pode ler-se que além do programa querer sensibilizar “para a salvaguarda de pessoas e bens”, “vai ser intensificada a distribuição de kits de autoproteção pelas aldeias, bem com da sinalética para indicação dos caminhos de evacuação”.

Os kits são compostos por colete, gola antifumo, apito, lanterna, bússola, garrafa de água, barrita energética e uma mala de primeiros socorros.

Custaram 328 mil euros, dos quais 125 foram para a produção de 70 mil golas.

O programa "Aldeia Segura - Pessoas Seguras" está a ser implementado desde 2018 em vários municípios e soma, segundo o jornal, 1.507 oficiais de segurança local - a quem compete encaminhar as populações para os locais de abrigo.

A execução do programa resulta de um protocolo assinado entre a ANEPC, a Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) e a Associação Nacional de Freguesias (ANAFRE).

Comentários
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  • Nuno
    28 jul, 2019 RAM 23:12
    ..mas os contratos de 70.000 golas são feitos na base de um julgava que era para merchandising!?! Estão não há um CE a cumprir com as definições do material e objetivos de uso do material?!?! Mas que raio de contratação foi esta? Muito a esclarecer pelo ministério público! Empresa e ANPC devem explicação detalhada à população do mídia operandi desta contratação....e de outras, passadas e futuras! Não se pode brincar com o dinheiro dos contribuintes! Quem procedeu mal q( oresponsável) que reponha a seu custo pessoal! Só pagaremos como contribuintes a diferença para material como deve ser, em FR Nomex.