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Golas antifumo? “Desconhecemos que era para combate direto às chamas”, diz empresa

26 jul, 2019 - 09:37 • Redação

Foram fabricadas 70 mil golas com material inflamável e sem tratamento anticarbonização no âmbito do programa "Aldeia Segura". Proteção Civil esclarece que não são equipamentos de proteção individual.
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A empresa que forneceu à Proteção Civil as golas antifumo alega que não tinha conhecimento da finalidade a que se destinavam, achando que a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) apenas queria material publicitário.

Segundo o “Jornal de Notícias”, os kits de emergência distribuídos às aldeias para serem usados em caso de incêndio contêm materiais inflamáveis. As golas de proteção contra fumos são ineficazes e libertam um cheiro intenso a cola. Já os coletes refletores são compostos por materiais combustíveis.

À Renascença, o responsável pela empresa Foxtrot Aventura, de Fafe, esclareceu que não produziu os coletes, reconhecendo que as golas distribuídas no âmbito do programa “Aldeia Segura” não são adequadas.

“As golas não são para proteção em caso de incêndio”, reconhece Ricardo Fernandes, acrescentando que acharam que era “para uma espécie de merchandising e para que as pessoas pudessem ter uma ideia do que podiam ter. O kit foi idealizado como base de um kit de primeira intervenção e não exclusivamente para cenário de incêndios”.

“Desconhecemos que era combate direto às chamas. Apenas nos cingimos ao caderno de encargos e respeitámos tudo o que lá estava mencionado”, sublinhou o responsável da empresa, acrescentando que qualquer outra informação terá que ser pedida à ANEPC.

Proteção Civil esclarece

Na sequência desta notícia, a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil esclarece em comunicado que os materiais distribuídos no âmbito Programa “Aldeia Segura” não são materiais de combate a incêndios nem esquipamentos de proteção individual.

“Trata-se da primeira grande campanha nacional orientada para a autoproteção da população relativamente ao risco de incêndio rural, bem como à sensibilização para as boas-práticas a adotar neste âmbito”, assinala o texto enviado à redação.

Contudo, a Renascença consultou o relatório do Ministério da Administração Interna, que dá conta do Balanço dos incêndios do ano passado, onde é referido que foram distribuídas 70 mil golas de proteção contra fumo.

Mas o mesmo comunicado da Poteção Civil informa que no âmbito da campanha nacional "foram produzidos e distribuídos diversos materiais de sensibilização: o Guia de Implementação dos Programas, os Folhetos de Sensibilização multilingues, a Sinalética identificativa de itinerários de evacuação e de locais de abrigo ou refúgio e os kits de emergência".

"Importa reforçar que estes materiais não assumem características de equipamento de proteção individual, e muito menos de combate a incêndios. Trata-se sim de material de informação e sensibilização sobre como devem agir as populações em caso de incêndio, aumentando a resiliência dos aglomerados populacionais perante o risco de incêndio rural", refere.

Os kits - compostos por colete, gola antifumo, apito, lanterna, bússola, garrafa de água, barrita energética e uma mala de primeiros socorros - custaram 328 mil euros, dos quais 125 foram para a produção de 70 mil golas.

O programa "Aldeia Segura - Pessoas Seguras" está a ser implementado desde 2018 em vários municípios e soma, segundo o jornal, 1.507 oficiais de segurança local - a quem compete encaminhar as populações para os locais de abrigo.

A execução do programa resulta de um protocolo assinado entre a ANEPC, a Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) e a Associação Nacional de Freguesias (ANAFRE).

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